Após o término do segundo turno das eleições presidenciais, a psicóloga e empresária Mara Suassuna publicou um vídeo nas redes sociais afirmando ter recebido demandas de empresários interessados em filtrar candidatos que não sejam simpatizantes do Partido dos Trabalhadores. A proprietária de uma empresa de recursos humanos defendeu publicamente a admissão de profissionais identificados com a direita política, argumentando que a escolha deve se basear no compartilhamento de princípios.
Oferta de recrutamento e repercussão
Na gravação divulgada na internet, a empresária relatou sentimentos de tristeza, revolta e desesperança com o desfecho do pleito eleitoral. Foi nesse contexto que ela destacou os pedidos feitos por clientes. “Hoje eu recebi vários telefonemas, várias mensagens de clientes meus, de empresários que têm nas suas empresas, inclusive pedindo para selecionar novos colaboradores, cujo critério passa por não ser petista”, afirmou.
Diante desse cenário, a dona do Instituto Mara Suassuna colocou seus serviços à disposição do empresariado interessado em direcionar contratações para esse perfil. “Para aqueles empresários que estão precisando contratar pessoas de direita, é só falar comigo. O Instituto Mara Suassuna cuida desse processo para você”, declarou, acrescentando ainda: “Tenho certeza que eu vou contratar muita gente boa, de direita, alinhada com os valores, a missão e a visão da sua empresa. Não tem jeito de laranja podre estar pertinho da gente”.
Justificativa baseada em teoria psicológica
Para fundamentar sua posição, a profissional recorreu à Teoria dos Valores Humanos Básicos, criada por Shalom H. Schwartz, que analisa o impacto dos valores nas decisões e condutas humanas. Ela enfatizou que a seleção busca afinidade ética e moral, e não uma bandeira partidária específica. “Não é uma questão de ideologia política, é uma questão de valores”, declarou, pontuando a necessidade de buscar qualidades como honestidade e respeito nas relações humanas.
“Não dá para contratar um funcionário que não tenha os valores, que são os valores da minha empresa, como honestidade, respeito à vida, respeito ao relacionamento humano, e vamos por aí por uma série de valores”, disse.
Nota oficial e negativa de discriminação
Posteriormente, por meio de um comunicado oficial intitulado “Valores ou perseguição ideológica?”, a psicóloga recuou em tom e tentou dissociar a preferência ideológica do conceito de cultura empresarial, afirmando que a seleção de profissionais deve considerar os princípios compartilhados com as empresas, e não o posicionamento partidário.
“Alinhamento de valores organizacionais não significa alinhamento político. Significa identificar profissionais que compartilhem princípios como ética, responsabilidade, respeito, integridade e compromisso com os objetivos da empresa”, justificou no texto.
A profissional também pontuou que a divergência de ideias é saudável para o ambiente corporativo, desde que haja respeito às normas fundamentais da instituição. “A diversidade de pensamento fortalece as organizações. O que compromete os resultados não é pensar diferente, mas agir em desacordo com os princípios que sustentam a cultura organizacional”, declarou na nota, reforçando que “não se trata de pensar igual. Trata-se de compartilhar princípios”.