Ex-prefeito de São Miguel do Araguaia é cassado e promete revelar esquema político

O ex-prefeito de São Miguel do Araguaia, Jerônymo José de Siqueira Neto (MDB), utilizou as redes sociais para rebater sua cassação e prometer a divulgação de supostas irregularidades envolvendo vereadores do município. A destituição do cargo ocorreu na última segunda-feira, 26, após a aprovação de um processo político-administrativo.

Processo e motivação da cassação

A perda do mandato foi decidida por nove votos a favor e dois contra, com os parlamentares acolhendo cinco infrações apontadas contra o chefe do Executivo. De acordo com a Câmara Municipal, a denúncia partiu de um eleitor e teve como base o repasse de valores inferiores ao duodécimo devido ao Legislativo no primeiro semestre de 2026, além de atrasos recorrentes no pagamento dos servidores públicos.

Em sua defesa nas redes sociais, Jerônymo contestou o fundamento da decisão e questionou a justificativa apresentada pelos parlamentares. “Fui retirado do mandato hoje, por 9 vereadores, por qual motivo?”, escreveu. Ele negou a prática de crimes como desvio de dinheiro, recebimento de propina ou superfaturamento, destacando que não houve atuação do Poder Judiciário, do Ministério Público ou das polícias para afastá-lo do cargo.

Promessa de revelações e acusações graves

Nas publicações, o político afirmou possuir comprovantes de pagamentos, mensagens, áudios e vídeos que comprovariam suas denúncias contra integrantes da Câmara. Entre as alegações feitas pelo ex-prefeito, destacam-se suspeitas de corrupção, assédio sexual, cobrança de vantagens indevidas e negociações com empresas prestadoras de serviços públicos.

A respeito do material guardado, o ex-prefeito indicou que avalia realizar uma transmissão ao vivo para expor o conteúdo. “Sei de muita cosa, tô pensando aqui se falo”, escreveu, acrescentando que teria sofrido ameaças após iniciar a divulgação das informações.

Posicionamento do Legislativo municipal

Por meio de nota oficial, a Câmara Municipal declarou que todo o julgamento do Processo Político-Administrativo nº 205/2026 seguiu estritamente o rito legal estabelecido pelo Decreto-Lei nº 201/1967, com sessão pública transmitida e gravada. O Legislativo pontuou que o ex-prefeito foi devidamente notificado de todos os atos e teve oportunidades para apresentar defesa, mas optou por não comparecer à sessão de julgamento.

A mesa diretora também informou que pedidos anteriores para suspender o andamento do processo foram negados pelo Poder Judiciário em diferentes instâncias, incluindo o Tribunal de Justiça de Goiás e o Supremo Tribunal Federal. Com a efetivação da cassação, o vice-prefeito Natanael Martins Coelho (MDB) deve assumir a administração da prefeitura municipal.

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