A Polícia Federal cancelou a validade do passaporte do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nesta terça-feira (27), após o parlamentar não cumprir o prazo determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para a entrega do documento até o final da manhã.
Decisão do STF e investigações
O parlamentar havia sido intimado por agentes federais na última segunda-feira, recebendo um limite de 24 horas para apresentar a documentação. Além da retenção do passaporte, a ordem judicial proíbe Flávio de manter contato com o advogado Willer Tomaz, seu amigo pessoal. Ambos são alvos de um inquérito na Corte que apura supostos crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro, sendo que Tomaz está no exterior desde agosto, de acordo com levantamentos da polícia.
Alegações do senador e repercussão
Em uma gravação divulgada em suas redes sociais, o político relatou ter sido interceptado em via pública ao sair do condomínio onde reside, no Lago Sul, em Brasília, rumo à residência de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
— Hoje de manhã eu fui visitar o meu pai, como vocês sabem, ele está em prisão domiciliar. E quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele e no meio da rua eu fui intimado a entregar os meus passaportes e também estou proibido de deixar o país. A decisão do Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo de 23 de outubro que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição — afirmou Flávio, em vídeo divulgado nas redes sociais.
Motivação da medida cautelar
A determinação de Moraes teve como base declarações dadas pelo deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em 23 de outubro, durante entrevista a um programa nos Estados Unidos, país onde reside atualmente.
— Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza. Com certeza — disse Eduardo, que na mesma entrevista afirmou que, em caso de derrota, o irmão deveria contestar o resultado das urnas.
A manifestação ocorreu antes do pleito do último domingo, no qual Flávio Bolsonaro acabou derrotado na disputa eleitoral para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito para o cargo. Diante do descumprimento da ordem judicial, autoridades apuram o paradeiro do senador, circulando boatos não confirmados de que ele teria deixado o território nacional via Argentina.