Entenda por que Alexandre de Moraes exigiu o passaporte de Flávio Bolsonaro

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entregue seus passaportes para evitar uma possível saída do país. A determinação ocorre no âmbito de uma investigação que apura supostos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, com base em um pedido da Polícia Federal (PF) que destacou o risco de fuga. O parlamentar nega qualquer intenção de deixar o território nacional.

Conexões internacionais e o inquérito

O parlamentar figura como investigado no mesmo procedimento que apura o advogado Willer Tomaz, amigo pessoal do senador. O processo tramita em segredo de Justiça e inclui uma proibição expressa de comunicação entre ambos. O pedido apresentado pela corporação policial destacou os laços do político com a Alcazar Holding, companhia ligada a Willer e sediada na Ilha da Madeira, em Portugal. Os registros indicam que o senador manteve poderes de gerenciamento e acesso a uma conta da empresa até maio de 2025.

Declaração de Eduardo Bolsonaro pesou na decisão

Outro elemento utilizado pela PF para fundamentar o pedido foi uma manifestação pública de Eduardo Bolsonaro. Durante uma entrevista concedida a um programa dos Estados Unidos, o ex-deputado declarou apoio à saída do irmão do Brasil caso ocorresse uma derrota na disputa presidencial. Os investigadores também registraram que Willer estava em solo norte-americano desde o mês de agosto, sem data definida para retorno.

A apuração sobre recursos financeiros

O objetivo central do inquérito é esclarecer as movimentações financeiras e os vínculos entre o senador e o advogado. Dados preliminares obtidos pela corporação apontam o político como possível destinatário de verbas da empresa portuguesa, embora as suspeitas sigam sob análise rigorosa.

Intimado para cumprir a determinação, o senador recebeu o prazo de 24 horas para entregar tanto os documentos de viagem nacionais quanto os diplomáticos ou estrangeiros. Diante do não cumprimento do prazo estabelecido até o final da manhã, a PF procedeu com o cancelamento da validade dos papéis. Manifestando-se por meio das redes sociais, o parlamentar criticou a medida e culpou a fala do familiar pela decisão judicial. “Eu nunca pensei em sair do país”, afirmou. Apesar de contestar a justificativa e apontar a ordem como uma tentativa de intimidação, o político garantiu que entregaria os documentos.

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