Bruno Peixoto assume governo de Goiás temporariamente e mira o Executivo

A partir desta quinta-feira, 29 de outubro de 2026, Goiás terá à frente do Palácio das Esmeraldas o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Bruno Peixoto. A interinidade, que se estende até 3 de novembro durante a licença do governador Daniel Vilela, decorre da linha sucessória prevista na Constituição Estadual. É um período curto, mas carregado de simbolismo: coloca diante dos goianos, ainda que por poucos dias, um nome que reúne todas as condições para governar o Estado em definitivo.

Três décadas de poder e a necessidade de novos nomes

Convém olhar para trás. Na década de 1990, o PMDB comandou o Estado, com Iris Rezende e Maguito Vilela. Entre 1999 e 2018, Goiás foi governado pelo grupo ligado ao PSDB: Marconi Perillo foi eleito governador quatro vezes, Alcides Rodrigues governou no meio do caminho e José Eliton encerrou o ciclo. Em 2019 teve início a era de Ronaldo Caiado, que governou por mais de sete anos, até março de 2026, e que hoje tem continuidade com Daniel Vilela, filho de Maguito, reeleito e com mandato até 2030. São mais de três décadas de poder revezado entre poucos grupos e poucos sobrenomes. Ninguém nega as realizações de cada período, mas nenhuma democracia se fortalece quando o comando do Executivo se torna patrimônio de uma mesma geração. Goiás precisa, e merece, de lideranças novas.

Bruno Peixoto é uma dessas lideranças. E não se trata de aposta no escuro. Sua trajetória foi construída degrau por degrau, sempre com o aval das urnas.

Formação sólida e ascensão política na capital e no estado

Começou no movimento estudantil, presidindo centros acadêmicos e a União Estadual dos Estudantes. Formou-se em Direito e em Economia, e essa dupla formação, a do jurista e a de quem sabe o valor de cada centavo público, marca até hoje sua maneira de fazer política. Elegeu-se vereador de Goiânia em 2004 e, em 2008, foi o mais votado da capital. Na Câmara Municipal, foi líder do prefeito Iris Rezende, o maior estadista que Goiás já teve, com quem aprendeu a política da presença, do trabalho que começa de madrugada e termina nos bairros. Em 2010 chegou à Assembleia Legislativa, onde cumpriu quatro mandatos consecutivos. Em 2022 obteve 73.692 votos, a maior votação já conferida a um deputado estadual na história de Goiás.

Na Assembleia, foi líder do governo Ronaldo Caiado e, em fevereiro de 2023, chegou à presidência da Casa com os votos de todos os 41 deputados, fato inédito no Legislativo goiano. Foi reconduzido ao cargo em outras duas votações, também unânimes, reunindo parlamentares da esquerda à direita. Foi escolhido ainda, por consenso, para presidir o colegiado nacional dos presidentes das Assembleias Legislativas. Quem consegue unir, num mesmo plenário, deputados que discordam em quase tudo demonstra a qualidade mais rara e mais necessária a um governante: a capacidade de construir consensos sem abrir mão da autoridade.

Ações de destaque no legislativo goiano

Sob sua presidência, a Assembleia deixou de ser apenas o lugar onde se votam leis e passou a ir ao encontro do cidadão. Com o programa Deputados Aqui, o Legislativo percorreu o interior e os bairros da capital levando atendimentos médicos e oftalmológicos, castração de animais, emissão de documentos e entrega de escrituras a famílias que esperavam havia anos, algumas há décadas, pela regularização de seus imóveis. É a política feita com os pés no chão, na escola de Iris.

Como advogado, Bruno ajudou a transformar em realidade um antigo sonho da advocacia goiana. Em 2024, o projeto que transfere para o final do processo o recolhimento das custas nas ações de cobrança de honorários chegou à Assembleia e, sob sua condução, foi aprovado em tempo recorde, convertendo-se na Lei nº 22.615/2024. O advogado que não recebeu pelo seu trabalho deixou de ter de pagar adiantado para cobrar aquilo que já lhe era devido. Um ano depois, a mesma regra foi adotada em todo o país. Goiás saiu na frente.

Não foi um caso isolado. Em 2025, Bruno foi o parlamentar mais produtivo da Assembleia, com 97 leis aprovadas, entre elas a que assegura assistência religiosa a pacientes em hospitais públicos e privados e a que endurece as punições para quem picha o patrimônio público e privado.

Há ainda um gesto que diz muito sobre seu caráter político. Em 2022, quando já tinha votos para conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados (sua votação superou a de quatro deputados federais eleitos naquele ano), aceitou permanecer na Assembleia para garantir a governabilidade do Estado. Colocou o projeto coletivo acima da ambição pessoal. A resposta veio agora, em 2026: Bruno Peixoto foi o deputado federal mais votado de Goiás, com 207.899 votos.

A partir de fevereiro, Bruno será a voz de Goiás em Brasília. Há muito tempo o Estado se ressente da falta de uma presença pulsante e relevante no Parlamento nacional, alguém capaz de defender os interesses goianos com a mesma força com que os goianos o elegeram. O mais votado do Estado chega à Câmara com a legitimidade necessária para ocupar esse espaço.

Esse conjunto de credenciais é difícil de igualar. Bruno conhece o Legislativo municipal, o estadual e, agora, o federal. Tem trânsito entre prefeitos, vereadores e lideranças dos 246 municípios goianos. Preside o União Brasil em Goiás. E, ainda que interinamente, passa a conhecer o Executivo por dentro. Poucos políticos goianos podem apresentar uma formação tão completa para o cargo de governador.

Renovar não significa romper com tudo o que foi feito. Significa dar continuidade ao que funcionou com olhos novos, com outra energia, com uma geração que cresceu ouvindo as ruas e não apenas os gabinetes. Goiás precisa de quem saiba dialogar com Brasília sem perder o pé no chão do interior; de quem respeite o equilíbrio entre os Poderes porque já esteve à frente de um deles; de quem tenha voto, mas também tenha método.

Os próximos dias no Palácio das Esmeraldas serão breves, mas que sirvam como um sinal. Acredito que a passagem de Bruno pela Câmara dos Deputados será de um só mandato: tempo suficiente para fortalecer Goiás em Brasília e completar uma formação que já é rara na política goiana. Com toda essa experiência acumulada, em 2030 o lugar de Bruno Peixoto será no Executivo. Ele tem tudo para ser o próximo governador do Estado de Goiás.

Deixe um comentário