As deputadas federais Sônia Guajajara (PSol-SP) e Célia Xakriabá (PSol-MG) protocolaram um ofício em caráter de urgência para cobrar investigação sobre ameaças de envenenamento da água consumida por indígenas Guarani Kaiowá, em Mato Grosso do Sul. O pedido foi encaminhado após o registro de diversas denúncias de violência política, ameaças e agressões contra povos originários em diferentes regiões do país.
Órgãos federais acionados para proteção das comunidades
O documento formal foi direcionado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, ao Ministério dos Povos Indígenas, ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No pedido, as parlamentares solicitam a apuração imediata dos fatos, a identificação dos envolvidos e a aplicação de medidas enérgicas de proteção às comunidades ameaçadas.
Áudios em aplicativo de mensagens revelam ataques
A denúncia veio à tona por meio de áudios que circularam em grupos de WhatsApp e foram divulgados pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). Em uma das gravações atribuída a um servidor de Tacuru, um homem diz: “Tem que ponhar veneno na água, tem que matar essas pragas na água”. A Prefeitura de Tacuru informou que afastou temporariamente o servidor citado e abriu Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar o caso.
Escalada de violência política no estado
A situação em Tacuru integra um cenário mais amplo de hostilidades relatado pela Apib no Mato Grosso do Sul, que inclui assassinatos em Naviraí, atropelamentos em Coronel Sapucaia e intimidações em Nioaque. Além disso, indígenas Terena relataram episódios de racismo, barreiras para votação e o uso de termos pejorativos dentro das próprias reservas.
Diante da gravidade dos episódios, uma força-tarefa conjunta foi criada por pastas federais para monitorar as ocorrências, abrangendo também relatos de violência contra quilombolas e povos de terreiro. A Polícia Federal foi acionada para conduzir as investigações sobre os casos registrados no estado.