Goiânia recebe lançamento de livro sobre Amália Hermano e nova posse na AgnL

A memória da escritora, pesquisadora, educadora, jornalista, advogada e ambientalista Amália Hermano Teixeira ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira, 28, em Goiânia. Após a publicação em formato digital, o livro Amália Hermano Teixeira: Ambientalista e Polivalente foi lançado na versão impressa, com mais de 700 páginas, durante uma cerimônia na Academia Goianiense de Letras (AgnL), instalada na casa de Bariani Ortêncio.

Posse na Academia Goianiense de Letras

O evento também marcou a posse da arquiteta, escritora e pesquisadora Narcisa Cordeiro na cadeira nº 4 da instituição, que tem Amália como patrona. As duas homenagens reuniram representantes de academias literárias, do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás e de diferentes segmentos da produção cultural goiana. A escolha de Amália como patrona reforça a proposta de manter viva a memória de uma mulher que transitou por diferentes áreas do conhecimento e participou de iniciativas importantes para a cultura goiana.

A cerimônia foi conduzida com a presença de representantes de instituições culturais e literárias. Também tomaram posse Carlos Dayrell, Daniana Freitas e Randes da Silva, conforme informado por Narcisa.

Relação pessoal e resgate histórico

A publicação recupera a trajetória de uma das personagens que participaram da formação intelectual, artística e ambiental de Goiás. Organizada a partir de documentos, fotografias, cartas, textos e depoimentos, a obra busca ampliar o conhecimento sobre o legado de Amália, que acompanhou momentos importantes da construção cultural de Goiânia desde a década de 1930. Narcisa Cordeiro e o pesquisador Bento Alves Araújo Jayme Fleury Curado são considerados filhos espirituais da homenageada, que não teve filhos.

Origens de uma amizade duradoura

A nova acadêmica destacou a relação pessoal que manteve com Amália e a importância de preservar sua história. “É uma amizade herdada de meu pai, desde a Cidade de Goiás”, contou Narcisa. A relação familiar se prolongou depois que Amália se mudou para Goiânia, em 1936, onde viveu até a morte, na casa localizada na Rua 24, no Centro da capital.

Pioneirismo na cultura e no Cerrado

Amália chegou a Goiânia em 1936 e acompanhou diferentes etapas da consolidação da capital como centro cultural. Ela integrou a Sociedade Pró-Arte e participou do Congresso Nacional de Intelectuais em 1954, onde recebeu o poeta chileno Pablo Neruda. Além disso, destacou-se na botânica, estudando o Cerrado e cultivando orquídeas — tendo inclusive uma espécie batizada em sua homenagem, a Cattleya nobilior Amália —, e pesquisou figuras históricas como Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera.

O sonho interrompido do museu

Um dos grandes projetos de Amália era transformar sua residência na Rua 24 em um museu para abrigar seu vasto acervo de arte, fotografias e elementos naturais. Narcisa participou dos estudos para adaptar o imóvel, mas as restrições de preservação arquitetônica impediram a concretização da ideia. “Ela me falou: ‘Narcisa, eu quero transformar a minha casa em um museu’”, relembrou.

Com a impossibilidade de criar o espaço museológico, o livro impresso ganha ainda mais relevância para eternizar a trajetória da pesquisadora. O lançamento duplo na Academia Goianiense de Letras consolida o esforço de manter ativas as discussões sobre conservação ambiental e história que Amália já defendia décadas atrás.

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