Ex-líder espírita usava karma falso para coagir fiéis em Goiânia

O Ministério Público de Goiás apura denúncias de crimes sexuais envolvendo o ex-presidente da Comunidade Espírita Eurípedes Barsanulfo, em Goiânia, Moacir Mendanha Castelo, de 75 anos. De acordo com a advogada Lívia Arcângelo, que representa uma das vítimas, o investigado manipulava as frequentadoras utilizando argumentos espirituais, alegando que elas precisavam sofrer para quitar supostas dívidas de vidas passadas.

Manipulação emocional e promessas

A defesa relata que o dirigente dizia à cliente que ambos eram almas gêmeas e que, em uma encarnação anterior, ela teria assassinado três mulheres por ciúmes. Para convencer a vítima, o suspeito recorria a narrativas elaboradas sobre o passado espiritual.

“Ele também afirmava ser a reencarnação de Júlio César e prometia que os dois se casariam, teriam filhos e abririam uma casa juntos no interior de Goiás. Foi esse o ardil que ele usou contra a minha cliente”, afirmou a advogada. A jurista acrescentou ainda que a mulher acabou se apaixonando pelas promessas do líder.

Segundo o relato, o pretexto para não manter um relacionamento convencional era a alegação de que ele era casado e não podia cometer adultério, justificativa utilizada para obter registros fotográficos das frequentadoras. A advogada aponta que o homem costumava selecionar mulheres consideradas atraentes durante rituais, como passes e correntes energéticas, para envolvê-las.

Investigação do Ministério Público e medidas cautelares

A investigação teve início após uma notícia-crime apresentada por uma integrante da instituição, e o processo corre sob sigilo. O órgão ministerial aponta indícios de que o suspeito se aproveitava da posição de autoridade religiosa e da fé das vítimas para praticar os abusos. Há também apurações sobre o vazamento de conteúdos íntimos e o suposto uso de cestas básicas em troca de material sexual.

No final de outubro, quatro mandados de busca e apreensão foram cumpridos em locais ligados ao investigado, incluindo a sede da comunidade. A Justiça determinou que ele compareça mensalmente ao tribunal e proibições de frequentar ou participar de eventos da entidade. Moacir foi afastado da presidência em julho e o local permanece fechado temporariamente, enquanto o MP apura indícios de que ele tentaria atuar em Santa Helena de Goiás.

Medo de retaliação

A representante legal informou que registros íntimos de sua cliente foram divulgados após o afastamento do dirigente. Como o investigado não foi preso, a vítima vive em constante temor de novas represálias após a repercussão pública do caso.

As autoridades continuam a apurar a extensão dos danos causados às frequentadoras e o período exato em que os episódios teriam ocorrido na capital goiana.

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