O Ministério Público de Goiás denunciou Kaio Kalton de Brito Soares, de 22 anos, sob a acusação de tentativa de homicídio contra a professora aposentada da Universidade Federal de Goiás Elizabeth Caramaschi, de 79 anos. O crime aconteceu no dia 18 de outubro, no Setor Bueno, localizado na capital goiana. Conforme a peça acusatória, o suspeito investiu contra a vítima usando uma garrafa de vidro estilhaçada e, após derrubá-la na calçada, desferiu pelo menos 11 socos na região do rosto.
Histórico de desaparecimento e sinais de problemas psicológicos
Antes de ser localizado pelas autoridades, o rapaz estava desaparecido por mais de 20 dias. De acordo com o relato da companheira, ele saiu de residência situada em Pontalina, na região Sul do estado, em 28 de setembro, sob o pretexto de realizar um serviço temporário no centro urbano e retornar para o almoço. Como não deu notícias, os familiares registraram o sumiço e iniciaram as buscas.
A companheira também revelou que o jovem exibia indícios de perturbação mental no período anterior ao desaparecimento. Ela afirmou que ele alegava sofrer perseguição e ser alvo de trabalhos de feitiçaria, gerando discussões na família sobre a necessidade de buscar auxílio médico. A descoberta da prisão ocorreu por meio da sogra, que o reconheceu através da cobertura jornalística sobre o caso.
Dinâmica da violência e estado de saúde da vítima
O episódio teve início quando a aposentada caminhava pela região e foi abordada pelo agressor, que momentos antes havia se envolvido em uma discussão com outra pessoa que conseguiu fugir. Munido da garrafa quebrada, ele direcionou-se à idosa, que tentou escapar sem sucesso. Registros de câmeras de segurança documentaram o ato violento, que resultou em perfurações nas costas, lesões faciais e traumatismo craniano.
Socorrida e encaminhada ao Hospital Estadual de Urgências de Goiás, Elizabeth passou por procedimento cirúrgico na face e permanece sob cuidados médicos, apresentando sinais de melhora. Os investigadores confirmaram que a motivação permanece indefinida e que nenhum objeto foi subtraído da vítima durante a abordagem.
Pedidos judiciais e a posição da defesa
Na denúncia apresentada à Justiça, o órgão ministerial destacou a brutalidade do ato, a vulnerabilidade decorrente da idade avançada da professora e requereu o pagamento de indenização mínima de R$ 20 mil. Além disso, foi solicitado um exame psiquiátrico para atestar a capacidade do acusado de entender o caráter ilícito de seus atos no momento do crime.
O rapaz também enfrenta acusações por resistência à prisão, pois teria avançado contra policiais militares com outra garrafa estilhaçada, motivando disparos de contenção em sua perna. Durante a audiência de custódia, o magistrado converteu o flagrante em prisão preventiva. O defensor público responsável informou que os desdobramentos jurídicos seguirão o trâmite da ação penal instaurada.