A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva desencadeou uma das maiores ondas de desvalorização na história recente do mercado financeiro brasileiro desde a implantação do Plano Real. Em apenas cinco pregões, a Bolsa de Valores de São Paulo sofreu uma perda de quase R$ 1 trilhão em valor de mercado, impulsionada pela desconfiança de investidores quanto aos rumos da política econômica do futuro governo.
Queda histórica e avanço do dólar
O principal índice da B3 fechou a última sessão da semana aos 167.921,80 pontos, acumulando um tombo semanal de 18,12%. Trata-se do pior resultado para o período de cinco dias desde março de 2020, no início da crise sanitária global. De acordo com dados de uma consultoria especializada, o valor somado das companhias listadas despencou de cerca de R$ 5,684 trilhões para R$ 4,721 trilhões, uma destruição de aproximadamente R$ 963 bilhões.
Impactos na economia real e fuga de capital
A turbulência também atingiu o câmbio. A moeda americana avançou 9,15% na semana, cotada a R$ 5,446, o que corroeu o poder de compra e elevou o risco inflacionário sobre produtos importados e combustíveis. Paralelamente, o mercado local contabilizou uma saída líquida de cerca de R$ 7,6 bilhões em capital estrangeiro apenas nos três primeiros dias da semana, refletindo a revisão drástica de expectativas frente à vitória eleitoral sobre o senador Flávio Bolsonaro.
Pressão sobre juros e estatais
Os contratos de juros futuros dispararam, elevando o custo de captação para empresas e o governo. O cenário de incerteza fiscal foi agravado por dados do Banco Central que apontam juros nominais de R$ 1,205 trilhão em 12 meses e um déficit nominal de R$ 1,275 trilhão, além de um déficit primário de R$ 3,4 bilhões registrado pelas estatais em setembro.
Apesar do cenário amplamente desfavorável para ações ligadas ao consumo interno e varejo — que registraram perdas superiores a 50% em vários casos —, companhias exportadoras de celulose, mineração e siderurgia contrariaram a tendência e fecharam a semana em alta devido à disparada do dólar.