Hugo Bravo detona arbitragem após empate do Vila Nova e cita roubo

O empate em 2 a 2 entre Vila Nova e Juventude, pela 36ª rodada da Série B, foi marcado por um clima de revolta nos bastidores do Estádio Onésio Brasileiro Alvarenga (OBA). Após o apito final, o vice-presidente do clube, Hugo Jorge Bravo, convocou a imprensa para um pronunciamento contundente, no qual acusou a equipe de arbitragem de prejudicar o Tigrão de forma deliberada.

Indignação com o VAR e erros sistemáticos

O dirigente utilizou o telão da sala de coletivas para exibir um lance polêmico na primeira etapa, onde o Vila Nova reclamou de um pênalti não assinalado. Bravo rechaçou qualquer alegação de interpretação, sustentando que as imagens televisivas confirmam a penalidade. “O Vila foi roubado, o Vila foi prejudicado. O camarada que tem um recurso audiovisual desse aqui não pode fazer, ele não tem o direito de fazer isso aqui com o Vila. E não venha com conversa de que ‘câmera’, ‘ah, poderia ser’, porque na televisão está da mesma forma”, declarou.

A reclamação de Hugo Bravo não se restringiu ao duelo contra o Juventude. Ele listou uma série de decisões em partidas anteriores, envolvendo confrontos contra Náutico, Novorizontino e São Bernardo, que, segundo sua análise, retiraram pontos importantes da equipe na tabela. “Esse aqui é o quarto jogo seguido. Contra o Náutico nós tivemos um pênalti não marcado em uma mão claríssima na barreira. Estava 2 a 0 o jogo. E se o adversário faz o 2 a 1? A dificuldade que seria para garantir a vitória. O excesso de tempo adicional aqui contra o Novorizontino. O jogo contra o São Bernardo, que o árbitro sinaliza um minuto adicional, e ele termina com três, após o Vila tomar o gol”, afirmou.

Críticas à comissão e o trauma de 1981

Ao abordar a qualidade técnica dos árbitros, o dirigente foi ácido, embora tenha ponderado sobre a intenção da comissão de arbitragem. “Reconheço todo o trabalho do presidente da comissão de arbitragem, de outras pessoas, a vontade de fazer a coisa melhorar, porque os caras são muito ruins. E eles são ensinados por quem já era ruim. Não tem como dar certo”, disse.

Para ilustrar o sentimento de injustiça, Bravo resgatou um dos episódios mais controversos da história do futebol nacional: a semifinal da Libertadores de 1981, entre Atlético-MG e Flamengo, realizada no Serra Dourada. Ele narrou como o episódio, que terminou com a expulsão de cinco jogadores atleticanos, traumatizou seu pai. “Meu pai foi naquela final [semifinal] aqui, Atlético-MG e Flamengo. O senhor Wright assaltou naquela ocasião, assaltou. Meu pai ficou mais de 20 anos sem ir no estádio, porque ficou com sentimento de otário para casa. E esse é o sentimento de todo mundo, de otário. Tem quatro jogos que estamos aqui e o sentimento é de otário”, desabafou.

Expulsão de João Vieira

Diferente das críticas aos juízes, Hugo Bravo adotou um tom mais compreensivo ao comentar a expulsão do volante João Vieira, que deixou o time em desvantagem numérica logo após o gol do Vila. O dirigente classificou o erro como fruto de excesso de entrega. “Nós vamos chegar porque esses caras aqui são trabalhadores. É excesso de vontade, é desejo demais, mas tem que controlar. O lance da expulsão do João [Vieira] é o cara que quer demais, é igual ao torcedor”, avaliou.

O dirigente encerrou o desabafo desafiando possíveis punições disciplinares e reiterando que o pleito do Vila Nova é por equidade. “Não estamos querendo ser favorecidos em absolutamente nada, só não queremos ser prejudicados. É simples, isso aqui é uma vergonha”, concluiu. O clube agora foca no próximo desafio contra o Criciúma, em busca de manter vivo o sonho do acesso à Série A.

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