O tabuleiro Ouija, amplamente conhecido por supostamente estabelecer a comunicação entre o mundo material e o espiritual, tornou-se um dos itens mais populares da cultura pop. A superfície de madeira traz impressos o alfabeto, números de 1 a 10 e as palavras “sim”, “não” e “adeus”, elementos projetados para que almas do chamado “outro lado” conversem com os vivos.
Contexto histórico e o surgimento no século xix
Hoje em día, o item pode ser facilmente encontrado em plataformas de comércio eletrônico, seja para curiosos que buscam testar a existência do plano espiritual ou para entretenimento entre amigos. No entanto, a verdadeira origem do objeto remonta ao final do século XIX, período em que o espiritualismo ganhou enorme força na Europa e na América.
De acordo com registros governamentais britânicos, o alto índice de óbitos durante a Guerra Civil Americana gerou um interesse sem precedentes pela necromancia. Como muitas famílias sequer tinham corpos para sepultar, a promessa de contato proporcionada pelo movimento espiritualista exercia um apelo avassalador.
Quem inventou o famoso tabuleiro?
Nessa época, dialogar com os mortos não era visto como um comportamento excêntrico, sendo uma prática comum entre cidadãos das classes média e alta que buscavam consolo e respostas existenciais.
A criação oficial do produto envolveu os empreendedores Charles Kennard e EC Reiche, além do advogado Elijah Bond, que uniram forças para fabricar a ferramenta de contato mediúnico. O batismo do objeto ocorreu por intermédio da médium Helen Peters, que questionou o próprio tabuleiro sobre seu nome. O artefato teria soletrado “Ouija” e, ao ser interpelado sobre o significado, respondeu que a palavra significava “boa sorte”.
Patentes e a lenda trágica de William Fuld
A companhia fundada por Kennard e Reiche estreou comercialmente na véspera do Halloween de 1890. A patente foi concedida após o objeto supostamente soletrar o nome correto do escritório de registros. Apenas um ano depois, o empresário William Fuld adquiriu o controle do negócio e reivindicou os direitos do produto.
Fuld alavancou expressivamente as vendas e associou o termo “Oracle” à marca nos Estados Unidos. Em 1927, o empresário faleceu após despencar do telhado de sua nova fábrica. O boato de que o tabuleiro Ouija teria ordenado a construção da própria estrutura intensificou a áurea de mistério em torno do artefato.
O impacto do cinema de terror na cultura pop
A percepção pública sobre o instrumento mudou radicalmente com a estreia do clássico “O Exorcista“, em 1973. O artefato místico transformou-se em um sinônimo absoluto de terror, abrindo portas para a fabricação de decorações temáticas de Halloween e versões voltadas para colecionadores.
A indústria aproveitou a oportunidade para diversificar o catálogo, lançando desde versões que brilham no escuro até reedições com estética retrô. Anos mais tarde, produções como o filme “Ouija” continuaram explorando a premissa sobrenatural, retratando personagens que tentam contatar entes queridos falecidos e acabam libertando entidades malignas.