As autoridades da França registraram um total de 779 detenções durante o sábado, 31 de outubro, em decorrência de manifestações populares e episódios de violência associados às festividades de Halloween. De acordo com o balanço oficial divulgado pelo Ministério do Interior francês no domingo, 1º, os atos reuniram aproximadamente 320 mil pessoas espalhadas por 291 protestos em todo o território nacional, sendo 70 mil apenas na capital.
Balanço de prisões e danos materiais
Do montante de prisões efetuadas pelas forças de segurança, 565 aconteceram antes das 21h de sábado, período de pico das mobilizações. As outras 214 detenções ocorreram durante a noite, em meio às comemorações festivas. Os confrontos urbanos resultaram em 159 agentes das forças de segurança feridos.
Apesar da tensão nas ruas, o governo relatou que a segunda metade da noite transcorreu sem ocorrências de maior gravidade. O relatório oficial contabilizou 515 focos de incêndio, além de 36 estabelecimentos comerciais danificados e três alvos de saques.
Origem das mobilizações e queda de público
Os protestos atuais tiveram início no final de setembro, impulsionados por estudantes insatisfeitos com a infraestrutura de escolas e universidades públicas. Com o passar dos dias, o movimento ganhou o reforço de sindicatos e do grupo dos coletes amarelos, ampliando a pauta para críticas à inflação, ao aumento do custo de vida e à precariedade dos serviços públicos.
Estatísticas oficiais mostram uma desaceleração gradual na adesão popular nas últimas semanas. Em 17 de outubro, o governo contou 550 mil manifestantes. Sete dias depois, o número caiu para 410 mil, até atingir o patamar de 320 mil participantes no último fim de semana, representando uma retração de cerca de 42% na comparação com o meados do mês.
Essa desmobilização também se refletiu nas estatísticas policiais. O número de prisões despencou de 2.628 no dia 17 de outubro para 1.314 no sábado seguinte, chegando aos 779 registros do balanço mais recente.
Violência em Paris e forte esquema policial
Na capital francesa, um dos momentos mais críticos aconteceu em Porte de Charenton, onde um coquetel molotov foi arremessado contra policiais no fim de um ato, deixando um agente com ferimentos leves. A Promotoria de Paris instaurou um inquérito para investigar o caso como tentativa de homicídio contra autoridades.
Para conter possíveis tumultos, o Ministério do Interior mobilizou um efetivo de 70 mil policiais em todo o país. As equipes realizaram cerca de 40 mil vistorias em rodovias, trens e estações para barrar o transporte de artefatos que pudessem servir como armas.
A vigilância foi intensificada no período noturno devido a convocações para atos de vandalismo disseminadas em redes sociais. Conforme a pasta, pequenos grupos tentaram promover distúrbios em várias cidades, mas acabaram contidos pelo esquema de segurança.