Lideranças do Partido Republicano monitoram com apreensão a possibilidade de uma alta abstenção entre eleitores evangélicos brancos nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. Embora esse segmento continue majoritariamente inclinado a apoiar candidatos conservadores, o descontentamento com o governo atual e sinais de desânimo colocam em risco a mobilização nas urnas.
Cenário de preferência partidária e queda na popularidade
Dados divulgados pelo Pew Research Center indicam que 73% dos evangélicos brancos registrados preferem nomes republicanos para a Câmara dos Representantes, enquanto 12% optam pelos democratas e 16% permanecem indecisos. No entanto, o mesmo levantamento apontou um recuo de 20 pontos percentuais na aprovação a Donald Trump dentro desse grupo, descendo de 78% no início de 2025 para 58% no período recente.
O temor central das lideranças não é a migração desses votos para a oposição, mas sim a possibilidade de que o eleitor decida simplesmente não votar. O professor Ryan Burge, da Universidade Washington, em St. Louis, afirmou à CNN que os evangélicos brancos representaram 38% dos eleitores de Trump e definiu a participação do segmento como vital para os conservadores.
Desafios na mobilização e o peso do custo de vida
Para contornar o desinteresse dos chamados eleitores ocasionais — aqueles que votam em presidenciais, mas faltam às legislativas —, organizações como a Faith & Freedom Coalition intensificaram campanhas de alcance. O presidente da entidade, Ralph Reed, relatou em entrevista à Religion News Service que preocupações ligadas ao custo de vida e ao preço dos combustíveis dominam as conversas com cristãos conservadores.
Resistências locais e estratégias religiosas
Disputas estaduais também refletem o desgaste, como a corrida ao Senado no Texas. O procurador-geral republicano Ken Paxton enfrenta o democrata James Talarico em meio a controvérsias políticas. O pastor Robert Jeffress, da First Baptist Church de Dallas, declarou à Religion News Service que ouviu de fiéis a intenção de boicotar a votação por insatisfação com Paxton, embora parte deles tenha voltado a cogitar o voto no republicano posteriormente.
Do lado democrata, campanhas buscam atrair o eleitorado religioso com candidatos ligados à fé, a exemplo de Talarico, estudante de seminário, e do pastor metodista Adam Hamilton, concorrente ao Senado no Kansas.
As eleições legislativas definirão o controle das 435 cadeiras da Câmara e de 35 assentos no Senado, além de governos estaduais. Enquanto pesquisas mostram democratas mais mobilizados, o comparecimento efetivo dos evangélicos brancos permanece como um dos principais fatores a influenciar o equilíbrio de forças no Congresso americano.