Agro brasileiro viaja à Europa para barrar sanções à soja

Lideranças do setor produtivo e autoridades governamentais brasileiras iniciaram uma ofensiva diplomática em solo europeu para demonstrar a sustentabilidade da soja nacional e blindar as exportações contra restrições comerciais.

Missão oficial na Europa

Uma comitiva formada por membros da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e do Ministério da Agricultura e Pecuária cumpre agenda em países estratégicos do continente, com passagens por França, Alemanha, Holanda e Bélgica. O foco central é evidenciar o cumprimento das exigências do Código Florestal e estreitar laços com governos e compradores locais.

Como vitrine tecnológica, a delegação tem destacado a Plataforma Agro Brasil + Sustentável, sistema integrado que compila dados detalhados sobre as práticas de preservação adotadas no campo brasileiro.

Defesa do setor produtivo

O presidente da Aprosoja Brasil, Maurício Buffon, afirmou que o setor precisa apresentar aos parceiros comerciais as medidas ambientais já adotadas no país.

“Não basta fazer o que o Brasil já faz a respeito de Código Florestal, de reserva legal, todas essas práticas para a sustentabilidade brasileira com agricultura, mas precisa ser mostrado”, disse Buffon ao Canal Rural.

O dirigente esteve em Paris durante o último final de semana para debater indicadores da agropecuária nacional com autoridades estrangeiras. Na mesma linha, o presidente da Abiove, André Nassar, reforçou a necessidade de validação dos sistemas de controle do Brasil pela União Europeia, ressaltando que a articulação unificada entre o poder público e as agroindústrias visa impedir entraves logísticos e comerciais.

Incertezas sobre a regulamentação

Apesar da preparação técnica, os produtores apontam lacunas operacionais nas diretrizes europeias. O diretor-executivo da Aprosoja Brasil, Fabrício Rosa, alertou sobre a ausência de definições claras quanto aos métodos de verificação das normas.

As novas regras da União Europeia proíbem a importação de mercadorias vinculadas a áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020, afetando itens como soja, carne bovina, café, cacau, borracha, madeira e óleo de palma. As grandes e médias companhias devem se adequar até o dia 30 de dezembro deste ano, enquanto micro e pequenas empresas ganharam prazo estendido até 30 de junho de 2027.

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