A presidência brasileira divulgou nesta terça-feira (3) um documento de 182 páginas com diretrizes para diminuir a dependência de carvão, gás e petróleo. O material sugere que cada nação avalie sua vulnerabilidade e adote estratégias próprias, sem impor prazos ou metas obrigatórias.
Estrutura do guia energético
O texto se baseia em três pilares fundamentais: oferta de energia, demanda e dependência econômica. Para mapear o cenário global, a proposta utiliza o Índice de Prontidão de Belém, ferramenta desenvolvida para medir a capacidade de enfrentamento de cada nação diante da crise climática.
O planejamento prevê uma agenda coletiva dividida em etapas até 2033. Nos primeiros anos, o foco recai sobre a criação de planos nacionais, o corte de subsídios e a mitigação das emissões de metano. Em fases posteriores, a atenção se volta para a eletrificação e, por fim, para o ajuste na oferta de hidrocarbonetos.
Proteção de florestas e financiamento
Além da transição energética, a gestão apresentou um segundo relatório focado em zerar e reverter o desmatamento até 2030. O texto aponta que o planeta aplicou US$ 84,5 bilhões em áreas verdes no ano de 2023, montante distante da necessidade anual estimada em mais de US$ 300 bilhões.
Durante a coletiva de imprensa realizada em Brasília, o presidente do evento, André Corrêa do Lago, destacou o intuito de simplificar a comunicação técnica: A gente não pode simplificar um tema complexo, mas a gente pode explicar melhor.
O plano de transição enfrentou resistências políticas antes de vir a público, ficando de fora das negociações formais por falta de consenso entre os países. Apesar disso, o governo reforça que a ferramenta serve para impulsionar debates futuros em instâncias como o G20.
Desafios e perspectivas
Questionado sobre a exploração petrolífera na Margem Equatorial, o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, admitiu as barreiras econômicas atuais. Não existe uma perspectiva, no curto prazo, de abandonar o uso de combustíveis fósseis. Infelizmente, declarou, ponderando que Você não faz mudanças de rota repentinamente.
A ex-ministra Marina Silva pontuou a relevância de proteger os trabalhadores do setor durante o processo. A transição precisa ser justa para todos, inclusive para quem só tem petróleo, afirmou. O Brasil levará os documentos para debates na COP31, na Turquia, onde o comando da cúpula será repassado para autoridades internacionais.