A dívida bruta do governo geral tem projeção de alcançar 83,7% do Produto Interno Bruto ao término de 2026, de acordo com levantamento divulgado pelo Tesouro Nacional. O patamar estipulado traduz um incremento de 5,1 pontos percentuais em comparação com o encerramento do exercício anterior, evidenciando uma ampliação na vulnerabilidade fiscal do país perante a oscilação dos juros e o comportamento da economia.
Projeções de longo prazo e cenários de estresse
Os dados foram publicados na 8ª edição do Relatório de Riscos Fiscais da União. A publicação examina de que maneira oscilações nas taxas de juros, na inflação, na cotação do câmbio e na atividade produtiva repercutem na evolução dos débitos soberanos e na aptidão estatal para honrar seus compromissos financeiros. O indicador agrupa os débitos de instâncias federais, estaduais e municipais, servindo como termômetro primordial para mensurar a solvência das contas estatais.
No cenário base traçado pelo órgão técnico, a DBGG deve alcançar 86,3% do PIB até o ano de 2036. Todavia, simulações de estresse que ponderam reveses econômicos mostram que o endividamento poderá disparar 17,1 pontos percentuais acima da linha-base no mesmo horizonte, encostando na marca de 103,4% do PIB caso ocorra uma sucessão de choques macroeconômicos desfavoráveis.
Sensibilidade das receitas e despesas federais
A dinâmica da dívida está atrelada diretamente aos custos de captação, ao ritmo produtivo e ao desempenho fiscal. Custos elevados encarecem a gestão dos débitos, enquanto a expansão econômica modesta deprime a arrecadação tributária. Conforme o documento, quase a totalidade das receitas primárias da União, exatos 94,6%, possui algum grau de dependência frente aos rumos da economia.
Para ilustrar essa volatilidade, o estudo aponta que oscilações de 1 ponto percentual no crescimento real do PIB provocam um impacto de R$ 16,6 bilhões nos cofres públicos. Variação idêntica na inflação gera um efeito de R$ 15 bilhões, enquanto flutuações cambiais mexem com o montante em R$ 2,5 bilhões. Do lado dos gastos, metade das despesas primárias do governo esteve atrelada à inflação e ao piso salarial, sendo que fatores demográficos, como o envelhecimento populacional, deverão acrescentar R$ 22 bilhões nos dispêndios com saúde até 2036.
Passivos contingentes e exposições judiciais
Além da projeção da dívida soberana, o balanço mapeou R$ 4,87 trilhões em exposições a riscos fiscais específicos apurados no decorrer de 2025. Esse total engloba demandas judiciais, avais concedidos em empréstimos e créditos de difícil recuperação, os quais não configuram gastos imediatos nem entram na conta do endividamento bruto.
Contendas na Justiça lideram passivos
O contencioso judicial representa o principal foco de alerta, registrando R$ 2,27 trilhões ao término de 2025, dos quais R$ 1,74 trilhão foram catalogados como perdas possíveis e R$ 533,2 bilhões como risco provável de desfecho desfavorável. No primeiro semestre de 2026, esse volume de litígios sofreu retração para R$ 2,19 trilhões.
Em paralelo, o Tesouro honrou garantias em operações de crédito que totalizaram R$ 11,1 bilhões em 2025, projetando novos desembolsos da ordem de R$ 6,5 bilhões para o fechamento de 2026. O monitoramento contínuo desses fatores é considerado imprescindível para assegurar a sustentabilidade das contas públicas a longo prazo.