Câmara de Goiânia rejeita sessão para homenagear torcidas antifascistas

O plenário da Câmara Municipal de Goiânia rejeitou, em sessão ordinária realizada nesta terça-feira, 3, um requerimento que solicitava a realização de uma solenidade em honra aos coletivos antifascistas dos principais clubes da capital: Atlético Goianiense, Goiás e Vila Nova.

Votação e articulação no Legislativo

A iniciativa, redigida pelo vereador Fabrício Rosa (PT), acabou barrada por 14 votos contrários ante cinco favoráveis. O texto de número 4.205/2026, registrado em 27 de outubro, passou por votação nominal depois que o vereador Igor Franco (Podemon) apresentou um pedido de destaque, o que tirou a pauta da votação conjunta usual para esse tipo de matéria.

Parlamentares que se opuseram à honraria, a exemplo de Igor Franco e Oséias Varão (PL), ligaram o grupo a críticas ao bolsonarismo, embora o documento oficial não fizesse menção ao ex-presidente Jair Bolsonaro ou a siglas partidárias.

Posicionamento do autor da proposta

Ao defender a pauta no plenário, Fabrício Rosa questionou a resistência dos colegas e celebrou o apoio recebido de parte do parlamento goianiense.

“Eu agradeço àqueles que votaram favorável. Eu fico feliz que Goiânia conte com a torcida atleticana antifascismo, o Goiás antifascismo, o Vila Nova antifascismo. É melhor que a gente tenha torcidas antifascistas do que torcidas fascistas”, afirmou.

O parlamentar petista criticou a negativa e reforçou a intenção de seguir apoiando os movimentos organizados no estado. “O contrário é o quê: querer torcidas fascistas? Eu tenho certeza que Goiânia e que Goiás não querem isso. E a gente vai homenagear aqueles que fazem parte antifascistas no Estado de Goiás”, disse.

Contexto político na Casa

A recusa à homenagem acontece poucos dias depois de o Legislativo goianiense avançar na aprovação, em primeiro turno, da criação da Comenda de Mérito Charlie Kirk, proposta pelo vereador Igor Franco (Podemos). A honraria homenageia o ativista conservador norte-americano, fundador da Turning Point USA e aliado de Donald Trump, que faleceu em setembro de 2025 após ser baleado em um evento universitário.

Na ocasião da votação da comenda, apenas Fabrício Rosa e Aava Santiago (PSB) votaram de maneira contrária ao projeto, que ainda precisa passar por uma segunda votação para ser definitivamente aprovado.

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