O governo de Israel repassou aos Estados Unidos informações de inteligência que indicam que o Irã estuda o uso de agentes químicos em um eventual conflito. A revelação, divulgada pelo jornal The New York Times, gerou divergência entre autoridades norte-americanas sobre a real dimensão do perigo.
Divergências em Washington e ceticismo regional
Enquanto uma ala do governo norte-americano trata o alerta como real, outra facção avalia que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu busca pressionar Washington a retomar a ofensiva militar. O material de inteligência também foi compartilhado com nações do Golfo, cujas autoridades demonstram forte ceticismo e acreditam que Tel Aviv tenta empurrar os aliados para uma fase mais intensa do confronto.
Histórico e o fantasma de 2003
Setores dos Estados Unidos relembram o episódio de 2003, quando a inteligência nacional afirmou, de forma incorreta, que o Iraque possuía armas de destruição em massa. O receio atual é de que uma avaliação precipitada resulte em uma nova guerra baseada em dados falhos. A diretora de Inteligência Nacional dos EUA, Jay Clayton, enviou um memorando ao secretário de Estado, Marco Rubio, alertando sobre o risco de ataques.
Rejeição de Teerã e histórico de armas químicas
O governo iraniano rejeita as alegações e classifica as acusações como “guerra psicológica” conduzida por Israel. Historicamente, Teerã admitiu ter desenvolvido capacidade química na guerra contra o Iraque nos anos 1980, mas assegurou ter desmantelado o programa posteriormente. Especialistas lembram que o país sofreu com armamentos similares no passado, deixando cerca de 100 mil veteranos e civis com problemas de saúde crônicos.
Em paralelo às discussões diplomáticas e de inteligência, o Comando Central dos Estados Unidos mantém um plano para iniciar ataques contra o Irã. A ofensiva aproveita a presença de três porta-aviões na região, embora a janela operacional seja considerada curta devido ao cronograma de retorno das embarcações.