Stylist conta como emagrecimento mudou relação de Marília Mendonça com a moda

O envolvimento da cantora Marília Mendonça com o universo da moda passou por uma reviravolta marcante à medida que a artista perdeu peso e recuperou a autoconfiança. A revelação foi feita por Flavia Brunetti, profissional responsável por cuidar dos figurinos da Rainha da Sofrência durante anos de sua trajetória artística.

Transformação pessoal e paixão pelo estilo

Em entrevista concedida à CNN Brasil, a profissional explicou que “essa coisa dela emagrecer influenciou a relação que ela tinha com a moda em si. Antes, [o meu trabalho] era um serviço, depois virou uma paixão“.

Flavia relembrou que, nos primeiros momentos da parceria profissional, a cantora sertaneja demonstrava total desinteresse por sua própria imagem e pelos trajes que vestia nos palcos. O papel da especialista se restringia a selecionar e organizar as peças que a artista usaria nas apresentações.

Contudo, o cenário mudou drasticamente com a perda de peso. “Quando ela emagreceu, aí sim começou a se interessar mesmo por moda. A partir daí, não estávamos mais falando só de figurino, de facilidade, de mala, e sim de uma construção de imagem, de se preocupar com marcas, de ter relacionamento com estilistas”, narrou a stylist, que ainda garantiu: “Ela morreu amando moda, isso eu posso te garantir”.

Relação pessoal e o início da parceria

Antes de se tornarem inseparáveis, a conexão entre as duas começou de forma inusitada, motivada por uma desilusão amorosa. Flavia relatou que descobriu uma traição ao mexer no celular do ex-namorado, o expulsou de residência com a ajuda do porteiro e viajou abalada para Fortaleza.

“Fui para Fortaleza e contei a história para o meu cliente, porque eu estava chorando, estava mal. Ele falou assim: ‘Você não vai acreditar, fui a um show de uma menina ontem, que chama Marília Mendonça, e ela tem uma música que chama ‘Alô, Porteiro’, que conta exatamente o que te aconteceu’”, relatou.

Inspirada pela coincidência, a profissional pediu para sua agente enviar o portfólio à equipe da artista. A partir do momento em que se conheceram — quando Marília tinha entre 17 e 18 anos —, o vínculo se fortaleceu. Após uma visita rápida ao bairro do Brás, em São Paulo, para adquirir roupas acessíveis, “depois daquele dia, a gente já foi para o bar e nunca mais se desgrudou, até o dia em que ela morreu”, contou.

Quebra de padrões e exposição no MIS

Para a stylist, a artista desafiou todas as expectativas do mercado musical brasileiro. “Ela era gorda, pobre, de Goiânia — um meio machista, do agro, mas desbravadora. Ela estava falando de chifre, falando: ‘Eu bebo mesmo’. Tinha tudo para ser um ‘flop’ [fracasso], mas transformou isso em um fenômeno”, refletiu.

Atualmente, parte dessa trajetória pode ser conferida pelo público. Diversos figurinos icônicos da cantora, que foram idealizados por Flavia Brunetti, integram a mostra “Sentimento Louco”, em cartaz no Museu da Imagem e do Som (MIS), na capital paulista.

Ocupando dois pavimentos e mil metros quadrados, a exposição conta com ambientes imersivos que recriam locais significativos na vida da artista, incluindo a árvore onde compunha canções, seu quarto com pertences particulares e o estúdio de gravação do primeiro DVD de sua carreira, lançado em 2015.

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