O deputado estadual James Talarico emergiu como uma das principais apostas do Partido Democrata para tentar vencer a disputa ao Senado pelo Texas nas Midterms, as eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. Ele enfrenta o procurador-geral estadual Ken Paxton, que garantiu a vaga republicana após derrotar o senador John Cornyn no segundo turno das primárias com o apoio explícito de Donald Trump.
Corrida acirrada e escândalos
Apesar da forte influência de Trump, que visitou o Texas em várias ocasiões para fazer campanha contra o democrata, o histórico de controvérsias de Paxton e as críticas internas no Partido Republicano abriram espaço para o crescimento de Talarico. Uma pesquisa da CNN divulgada em 29 de outubro colocou o democrata com 49% das intenções de votos, enquanto o adversário aparecia com 43%.
Com 37 anos de idade, Talarico atua como deputado desde 2018 e concilia a carreira política com os estudos de teologia presbiteriana, mantendo forte ligação com igrejas cristãs progressistas em Austin. No cenário nacional, ele tenta se consolidar como uma liderança renovadora e tem histórico de cobranças por um posicionamento mais firme de seu próprio partido frente ao trumpismo.
Combate à corrupção e propostas
O eixo central da campanha do democrata gira em torno de críticas severas aos ultrarricos e à corrupção na política. Suas propostas incluem a proibição de comitês de ação política corporativos e dos chamados super PACs, além do fim da manipulação partidária de distritos eleitorais e da negociação de ações por membros do Congresso.
Esse discurso anticorrupção serve como contraponto direto aos problemas enfrentados por seu opositor. Paxton foi alvo de denúncias de abuso de poder e corrupção que resultaram em seu impeachment pela Câmara estadual em 2023, embora tenha sido posteriormente absolvido pelo Senado do estado.
Ataques e polêmicas do passado
Durante a campanha, Talarico precisou lidar com ataques de adversários baseados em posicionamentos anteriores. Os republicanos resgataram um debate de 2021 em que o deputado afirmou que a ciência moderna reconhece seis sexos, o que levou o grupo rival a chamá-lo de “Jimmy dos Seis Gêneros”.
Sobre o tema, o candidato declarou à CBS: “Eu sei que existem dois sexos: homens e mulheres. Também sei que há uma parcela muito pequena de pessoas que apresentam anomalias cromossômicas, e acredito que elas merecem ser tratadas com dignidade e respeito”.
Opositores também tentaram rotulá-lo com apelidos pejorativos e questionar hábitos alimentares após a circulação de um vídeo de 2022 em que ele discutia a redução do consumo de carne. Em entrevista à mesma emissora, Talarico admitiu arrependimento por falas anteriores, mas criticou a estratégia do rival:
“Há declarações que fiz das quais certamente me arrependo. Há falas em que errei o tom; sou o primeiro a admitir isso”, disse.
“Mas Ken Paxton está selecionando, de propósito, meus comentários constrangedores para desviar a atenção de sua própria trajetória marcada pela corrupção”, adicionou.
Uso da fé na política
A identidade cristã é outro elemento marcante da trajetória do candidato, que utiliza sua formação como seminarista presbiteriano para contestar medidas conservadoras, como a lei texana que obriga a exibição dos Dez Mandamentos em escolas públicas, a qual classificou como “profundamente não cristã”.
“Essa é uma convicção que mantenho não apesar da minha fé, mas por causa dela. Jesus nunca fala sobre o aborto. A Bíblia é omissa quanto ao aborto”, afirmou Talarico em um podcast ao criticar restrições reprodutivas.
A relação entre religião e política gerou fortes reações dos republicanos. Durante a festa de comemoração do segundo turno de Paxton, o genro do procurador-geral, Daniel Hayworth, conduziu uma oração na qual acusou o democrata de distorcer a palavra divina.