Gilmar Mendes critica condução do TSE e aponta falhas em eleições

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes utilizou suas redes sociais para criticar a gestão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante o pleito de 2026. Embora não tenha mencionado nomes diretamente, a declaração foi interpretada como uma crítica velada ao presidente da Corte, Kassio Nunes Marques.

Polêmica no segundo turno e demora na decisão

O chefe do TSE virou alvo de contestações após deixar de decidir, em tempo hábil, sobre a prorrogação do horário de votação no segundo turno. A solicitação chegou à mesa do magistrado por volta das 13h30, mas nenhuma medida foi tomada de imediato, mesmo com pedidos formais das campanhas de Lula (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL).

A situação só mudou quando o ministro do STF Cristiano Zanin determinou a extensão da votação até as 19h. Somente após a determinação de Zanin, já perto das 17h, que Nunes Marques concordou com a medida. O oposicionista utilizou a prorrogação para contestar o resultado, deixando o país rumo aos Estados Unidos dias depois.

Cobrança por postura equidistante e papel do colegiado

Diante da crise, o presidente do TSE emitiu nota para defender a lisura do processo eleitoral e a atuação dos técnicos do tribunal. Indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, o magistrado argumentou que cumpriu seu papel institucional apesar da instabilidade observada.

Em sua postagem na internet, Gilmar Mendes destacou a importância da atuação conjunta da Corte: “Foi o colegiado do Tribunal Superior Eleitoral que assegurou que a disputa transcorresse dentro das regras do jogo democrático. A institucionalidade, entretanto, não deveria precisar ser resgatada a cada eleição. De quem está na condução do órgão que organiza o pleito espera-se a postura de árbitro equidistante que a Constituição pressupõe”.

A gravidade das hesitações na Justiça Eleitoral

O magistrado também alertou sobre os riscos de posturas omissas na administração de órgãos fundamentais para o país. Para ele, a falta de atitude rápida gera vulnerabilidades jurídicas e políticas.

“Na condução de órgãos de elevada importância, um aspecto precisa ficar claro: silêncios e hesitações não são neutros. Podem abrir espaço para decisões contraditórias, levar outras instâncias a suprir, pelas vias próprias, o que poderia ter sido resolvido desde a origem e servir de pretexto a quem insiste em atacar um sistema eleitoral íntegro e confiável”, escreveu.

Por fim, Mendes reforçou que a solidez democrática não pode ficar atrelada exclusivamente a intervenções de última hora do colegiado, exigindo maior firmeza e previsibilidade de quem comanda a Justiça Eleitoral brasileira.

Deixe um comentário