O empresário Daniel Vorcaro colocou a revista Oeste na lista de veículos que tentou silenciar na Justiça devido à cobertura jornalística sobre a crise envolvendo o Banco Master. Em abril de 2025, o antigo proprietário da instituição financeira cobrou uma postura mais agressiva de sua equipe de comunicação em relação ao material publicado pela imprensa, rejeitando minutas jurídicas consideradas brandas demais.
Investigação revela bastidores da tentativa de censura
Os registros das tratativas constam na plataforma MasterWhats, um repositório que compila conversas atribuídas ao banqueiro a partir de dados reunidos em apurações da Polícia Federal. O acervo dispõe de mais de 66 mil mensagens trocadas entre dezembro de 2023 e novembro de 2025, detalhando as estratégias adotadas para tentar impedir a circulação de informações incriminadoras.
Repercussão da reportagem especial
O atrito com a revista ocorreu semanas após a publicação do texto “Ascensão e queda do Banco Master”, escrito pelo repórter especial Carlo Cauti. A matéria abordou a trajetória de expansão da instituição, os riscos atrelados às operações financeiras, transações com precatórios, articulações com o Banco de Brasília e as conexões de Vorcaro com figuras centrais do governo federal e do Supremo Tribunal Federal.
Insatisfação antiga com a cobertura da imprensa
O monitoramento da editoria já ocorria meses antes da ordem para o envio das notificações extrajudiciais. Em julho de 2024, o executivo questionou assessores sobre a linha editorial do veículo e recebeu explicações a respeito da composição da equipe de jornalistas. Nas conversas recuperadas pelos investigadores, a diretoria de comunicação do banco ainda mencionou colunistas de outros grandes jornais ao discutir medidas judiciais para conter a repercussão negativa dos negócios do banco.
O material completo apreendido pelos investigadores expõe como a cúpula do banco tentava blindar sua imagem pública por meio de investidas jurídicas e monitoramento constante da imprensa brasileira.