O senador Eduardo Gomes (PL-TO) foi escolhido nesta quarta-feira (4.nov.2026) pelos líderes partidários para assumir a relatoria do projeto da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2027. A definição ocorreu após a recusa da senadora Tereza Cristina (PP-MS) ao convite feito pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Bastidores da sucessão no senado
A parlamentar optou por direcionar seus esforços às articulações visando a disputa pela presidência da Casa Alta em 2027. Nos bastidores, aliados do PP interpretaram o convite para a relatoria como um “prêmio de consolação” frente à corrida pelo comando do Senado, que também conta com a pré-candidatura do senador Rogério Marinho (PL-RN) e do próprio Alcolumbre.
Embora tenha oficializado sua candidatura, Marinho encontra resistência para consolidar o apoio integral da oposição. Parlamentares apontam que parte dos votos declarados publicamente ao senador potiguar pode migrar para outros nomes. “Marinho disse que tem mais de 30 votos, mas ele não leva em conta que parte deles, na verdade, vai para a Tereza”, pontuou um integrante do PP.
Cenário da oposição e articulações
Como ex-ministra da Agricultura, Tereza surge como alternativa para parlamentares de direita descontentes com a candidatura de Marinho. O senador coordenou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) e sofre desgaste político devido a pronunciamentos do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Ao chegar aos Estados Unidos após deixar o Brasil, Flávio divulgou uma carta alegando, sem apresentar evidências, fraudes no processo eleitoral. O manifesto gerou atritos internos no PL, inclusive com reprovação pública do presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto.
Tramitação do orçamento e metas fiscais
A escolha de Eduardo Gomes também possui forte peso político. Ex-líder do governo Bolsonaro, o senador transita bem entre a oposição, a ala moderada do PL e a base de Alcolumbre, que tenta ampliar sua base de apoio para a reeleição em 2027. Na terça-feira (3.nov), o líder do MDB, Eduardo Braga (AM), foi designado para relatar a LOA (Lei Orçamentária Anual) de 2027, indicação chancelada após reunião com o presidente da CMO, deputado Domingos Neto (PSD-CE).
Cronograma e metas para o próximo ano
A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), informou que a meta é votar o Orçamento até 17 de dezembro. Além da LOA, Braga conduzirá o projeto que fixa a alíquota de referência da CBS, tributo decorrente da reforma tributária.
A meta fiscal fixada pelo governo federal para 2027 aponta para um superavit primário de 0,5% do PIB, correspondendo a cerca de R$ 73,2 bilhões. O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, garantiu que a diretriz é inegociável e que o planejamento fiscal permanece intacto, mesmo com iniciativas recentes como o reajuste do Bolsa Família, o Desenrola Brasil 3 e novas linhas de crédito para MEIs.