As gigantes automobilísticas BMW e Volvo Cars divulgaram resultados financeiros inferiores no terceiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado, impulsionadas principalmente pela retração na demanda do mercado chinês, considerado o maior polo automotivo global.
Queda de lucros e recuo nas receitas da BMW
Entre os meses de julho e setembro, o lucro líquido da montadora alemã BMW despencou cerca de 15%, atingindo 1,45 bilhão de euros, o equivalente a aproximadamente R$ 8,9 bilhões. No mesmo intervalo, a receita da companhia sofreu uma retração de quase 6%, fechando em 30,5 bilhões de euros (cerca de R$ 187,27 bilhões). As entregas totais de veículos em âmbito global registraram queda de 6,3%, sendo que o mercado da China apresentou um tombo expressivo de 24,8%.
Ampliação de demissões e impactos no setor
Diante do cenário adverso, a BMW informou que pretende intensificar o plano de corte de postos de trabalho. O presidente-executivo da companhia, Milan Nedeljkovic, não especificou a quantidade exata de novas vagas que serão eliminadas, mas indicou disposição para avançar no enxugamento estrutural. “Vamos até onde nossas pernas nos levarem”, afirmou. “E até onde fizer sentido para nós.”
Adesão a planos de saída
De acordo com o executivo, a procura pelo programa de demissão voluntária superou as estimativas iniciais, o que pode acelerar o processo de reestruturação. “Conseguiremos concluir o programa em pouco tempo”, disse Milan Nedeljkovic. “Essa resposta extremamente positiva ao programa abre um potencial mais significativo para enxugarmos nossas estruturas com maior rapidez.” Outras marcas do setor também adotam medidas semelhantes, como a Mercedes-Benz e a Volkswagen.
Desempenho da Volvo Cars e foco em eletrificados
Por sua vez, a sueca Volvo Cars comercializou 141.650 unidades no trimestre, enfrentando uma redução de 16% nas vendas gerais. Enquanto os veículos totalmente elétricos avançaram 27% e alcançaram 34% do volume total, os modelos híbridos plug-in sofreram queda de 30%. “Na China, estamos nos adaptando à menor demanda e nos concentrando em estabilizar os negócios, em vez de buscar volume”, pontuou a montadora em comunicado oficial. A empresa, controlada pelo grupo chinês Geely, também lida com reflexos na linha de produção: “As entregas do EX60 estão sendo afetadas atualmente pelo aumento gradual da produção”, informou a Volvo Cars. “Mas estamos ampliando de forma constante o volume de unidades produzidas.”