Um requerimento que exige esclarecimentos oficiais do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, foi aprovado nesta quarta-feira, 4, pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados. O foco da investigação é o suposto auxílio prestado pela Embaixada do Brasil em Madri durante a mudança de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, para a Espanha. Durante a votação, a bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) se posicionou de forma contrária à medida.
Detalhes do requerimento aprovado na Câmara
A iniciativa partiu do deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP), que preside o colegiado, com a coautoria do parlamentar Sargento Fahur (PL-PR). Inicialmente, o autor havia protocolado um pedido para a convocação presencial de Vieira, mas a proposta acabou retirada de pauta após um entendimento entre os parlamentares. Dessa forma, a deliberação resultou apenas na cobrança de informações documentadas, dispensando, por ora, a ida do ministro ao Congresso.
Questionamentos enviados ao Itamaraty
O documento endossado pela comissão reúne 14 perguntas específicas e exige o envio de arquivos e papéis sobre o envolvimento do então embaixador Orlando Leite Ribeiro no caso. Os legisladores querem saber se houve ordens expressas enviadas por Brasília para auxiliar a família de Lulinha na Europa ou se o suporte diplomático ocorreu por iniciativa própria do representante no exterior.
Investigação sobre reuniões e facilidades consulares
O texto também cobra explicações a respeito de encontros mantidos entre o ex-embaixador e Roberta Luchsinger, identificada como amiga de Lulinha, questionando se o Itamaraty foi devidamente notificado sobre tais reuniões. Além disso, o Congresso Nacional busca apurar se houve contatos com a Embaixada da Espanha em solo brasileiro com o objetivo de agilizar vistos, trâmites burocráticos ou regalias consulares que fugissem dos padrões normais.
Na fundamentação do pedido, os parlamentares mencionam denúncias de que recursos físicos e logísticos da repartição diplomática teriam sido disponibilizados para finalidades estritamente particulares, como o translado de mobília e visitas a colégios e universidades. A validação do requerimento obriga o Itamaraty a responder aos questionamentos, embora não signifique, por si só, um veredito de culpa por parte do colegiado legislativo.