Em passagem pela Assembleia Legislativa de Goiás, o deputado federal eleito Fred Rodrigues rechaçou qualquer possibilidade de aliança com Hugo Motta para a presidência da Câmara e garantiu que o foco de sua atuação será o combate ferrenho à gestão federal. O parlamentar também comentou sobre articulações em andamento e criticou mudanças nas regras eleitorais.
Críticas ao voto distrital misto
Durante conversa com jornalistas, o político do PL analisou a proposta de adoção do sistema distrital misto nas próximas disputas eleitorais. Para ele, a medida esconde interesses partidários e pode blindar lideranças políticas tradicionais nas cidades do país.
“Com certeza tem seus benefícios e seus prejuízos”, disse.
“O voto distrital misto pode fazer com que uma parte da sociedade seja mais bem representada, mas também pode fazer com que aquele coronelzão, aquele xerifão lá da cidade, passe a ter mais força e nunca mais saia. Não acho que é este o momento de discussão, até porque ela não está sendo feita por um motivo nobre. Está sendo feita justamente porque o Hugo Motta percebeu a força da direita, percebeu a força dos puxadores de voto. A discussão é movida por interesses do Centrão para barrar essa força da direita. Não acredito que ela vá avançar nesses níveis e, se tentarem deixar para o ano que vem, nós vamos travar”, completou.
Eleição na Câmara e rejeição ao Centrão
Sobre a disputa pelo comando da Câmara dos Deputados, o parlamentar defendeu a presença do partido no bloco vencedor, mas impôs barreiras intransponíveis em relação a nomes específicos. A legenda conta com uma bancada expressiva e avalia alternativas caso o diálogo não avance.
“Defendo que o PL tem que estar na chapa vencedora. Dito isso, não apoio o Hugo Motta de jeito nenhum”, apontou.
“Não tem como apoiar alguém sem princípios ou coerência, que já mostrou que não podemos confiar nele. Mostrou mais de uma vez que não tem interesse nenhum em fortalecer o sistema de freios e compesos garantido na Constituição. Meu voto não vai para ele. Se for necessário compor com uma alternativa, podemos dialogar, mas o partido conta com uma bancada de 121 deputados e possui força suficiente para lançar candidato próprio”, completou.
Atuação em Goiás e eleições futuras
Questionado sobre os rumos da sigla no estado e uma possível aproximação com o grupo do governador Daniel Vilela, o deputado defendeu a autonomia partidária. Ele também evitou antecipar debates sobre o pleito municipal de Goiânia em 2028.
“Sempre trabalhei para ajudar o Estado a ser eficiente para a população”, disse.
“Quando exercia o mandato na Assembleia Legislativa de Goiás, mantive uma postura independente, votando a favor do Estado e contra projetos que iam contra minha consciência, como o aumento de impostos e a reforma administrativa. O diálogo é possível, mas o partido tem força suficiente para se manter independente sem necessariamente integrar a base governista, garantindo que o governador tenha liberdade para conversar conosco sempre que necessário”, completou.
“Fui eleito para deputado federal e quero trabalhar nessa função. Não é o momento correto para adiantar essa discussão em virtude da situação difícil enfrentada pelo Brasil”, disse.
“Fomos muito bem votados e vencemos o primeiro turno, exigindo a união de quase todas as forças políticas regionais para nos vencer no segundo turno. Como disse aos eleitores durante a campanha, vamos resolver os desafios em Brasília primeiro para depois pensar na prefeitura de Goiânia”, finalizou.