Trump admite reflexo de guerra na derrota das midterms, mas defende ofensiva

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu nesta quarta-feira, 4, que o conflito armado contra o Irã pesou de forma negativa no desempenho do Partido Republicano durante as eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms. O revés político resultou na perda da maioria na Câmara dos Representantes e no Senado para os democratas.

Impacto econômico e votação

Durante sua primeira aparição pública após o pleito, realizada na Casa Branca, o presidente concordou com a avaliação de seu vice-presidente, J.D. Vance. Para o governo, a alta nos preços dos combustíveis, impulsionada pela ofensiva iniciada em 28 de fevereiro, gerou desgaste imediato junto aos eleitores.

Pesquisas recentes indicam que 48% da população consideraram o custo de vida como fator decisivo na hora de votar. Além disso, apenas 25% dos entrevistados avaliaram que a guerra justificava os custos financeiros, estimados em até US$ 100 bilhões pelos cofres americanos.

Defesa da ofensiva e novas tensões

Apesar do impacto eleitoral e da resistência popular ao conflito, o chefe do Executivo americano declarou que adotaria a mesma postura novamente para barrar o avanço militar iraniano.

“Bem, acho que isso é em grande parte verdade, porque fez a gasolina subir um pouco no curto prazo, e provavelmente é verdade. Mas, ao mesmo tempo, se eu tivesse que fazer de novo, eu teria que fazer de novo, porque, a longo prazo, é a única resposta. Não se pode deixar o Irã ter uma arma nuclear”, declarou.

Questionado sobre alternativas diplomáticas, o líder reforçou que a ação era inevitável. “Não há escolha. Tem que ser feito. Não se pode deixar o Irã ter uma arma nuclear, ou tudo o que vocês veem aqui pode, um dia, deixar de existir”, acrescentou.

Relação com o Legislativo e poder de veto

Com a oposição no comando do Congresso, Trump precisará administrar um cenário de maior resistência política. Embora projete diálogo com os adversários, o presidente reiterou que usará prerrogativas constitucionais para barrar medidas contrárias à sua gestão.

“Provavelmente vou me dar bem com os democratas, a menos que queiram ser destrutivos, mas nós temos poder de veto. Então, se não gostarmos do que estão fazendo…”, afirmou.

Em declarações anteriores registradas pelo jornal New York Post, o republicano já havia antecipado a estratégia. “Eles vão enviar algumas coisas. Você veta. E, eventualmente, depois de um ou dois meses sendo vetados, eles só estão perdendo tempo, vêm até nós e fazemos um acordo”, declarou na ocasião.

Por fim, ao minimizar o impacto pessoal da derrota e destacar o apoio popular recebido em comícios recentes, o presidente concluiu: “Vocês viram as pessoas lotando os comícios, milhares e milhares de pessoas em todos os comícios”.

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