A situação administrativa do Goiás Esporte Clube atingiu um patamar crítico após um encontro realizado na última quinta-feira (5). A cúpula diretiva, o elenco profissional e representantes da torcida organizada Força Jovem se reuniram para cobrar explicações sobre os graves problemas financeiros que afetam o cotidiano da instituição esmeraldina.
Falta de suprimentos e salários em aberto
Durante a sabatina, o presidente executivo Munir Calixto admitiu que não existe um prazo estipulado para normalizar os pagamentos em atraso. Além disso, o dirigente informou que um empréstimo no valor de R$ 11.4 milhões buscado junto a uma instituição bancária ainda não foi concretizado.
A gravidade do momento nos bastidores surpreendeu até mesmo os torcedores mais pessimistas. Segundo relatos colhidos após a reunião, o centro de treinamento do clube sofre com a ausência de insumos básicos para a rotina diária, gerando um cenário de abandono estrutural.
Posicionamento da torcida organizada
Kioma, líder da principal torcida organizada do clube, detalhou à imprensa o teor das conversas mantidas com os dirigentes e atletas no CT esmeraldino:
“A Força Jovem, o elenco e o presidente Munir Calixto estavam na reunião. De algo concreto não tem nada, existem previsões e contratos para capitalizar algo financeiro para o clube, mas nada concreto. Não tem nada de data para pagar bixo, salários ou imagens. O que eles (diretoria) passaram para gente é que não tem previsão. Ficamos sabendo que no CT está faltando coisas básicas, não tem manteiga, não tem pão, nada de fornecedores desses alimentos. O clube realmente está entregado as traças.”
Comprometimento do elenco para a reta final
Apesar do ambiente de instabilidade e da revolta generalizada com as promessas não cumpridas por gestores anteriores, os atletas asseguraram que manterão o foco total dentro de campo. A equipe se prepara para um compromisso decisivo contra a Ponte Preta, marcado para este domingo (8), às 19h15, no estádio da Serrinha.
“Os jogadores estão focados, com espírito de vencer e lutar. Eles nos posicionaram que cansaram dessa situação, alguns meses atrás algumas pessoas iam no CT, batiam no peito falando que iria resolver e nada. Então nessa parte eles estão indignados, mas comprometidos e focados. Vão treinar nesta sexta (6) e irão com tudo para ganhar da Ponte Preta”, declarou o presidente da facção.
A articulação do protesto
A mobilização que levou à cobrança direta dos dirigentes foi arquitetada em conjunto com os próprios jogadores, que demonstram insatisfação com a falta de respostas da cúpula administrativa. A torcida prometeu manter a pressão sobre os mandatários e reforçou o apoio irrestrito ao grupo de atletas e à comissão técnica liderada pelo treinador.
“Foi um movimento em conjunto, e na reunião apenas o Munir Calixto se manifestou da presidência. O Leonardo Pacheco estava presente, mas não falou. Os jogadores falaram bastante e mostraram insatisfação, todos que estiveram lá falaram. A diretoria afirmou que o empréstimo não foi concretizado, estão esperando a instituição se manifestar e ainda nada. A cobrança vai continuar, sem parar. Estamos junto com os jogadores, assim como o Michel e com o técnico Mozart”, concluiu o dirigente da organizada.