A Câmara dos Deputados do Paraguai rejeitou nesta quinta-feira, 5, o pedido de impedimento contra o vice-presidente Pedro Alliana. A decisão abre caminho para que ele assuma o comando do Executivo nacional após a renúncia de Santiago Peña, anunciada horas antes em decorrência de uma severa instabilidade no setor financeiro.
Queda de Peña e crise no banco Ueno
A saída do ex-presidente se deu em meio ao agravamento das denúncias ligadas ao fechamento do banco digital Ueno, instituição da qual Peña havia sido acionista. O encerramento das operações deixou milhões de correntistas sem acesso aos próprios saldos, provocando manifestações populares e pressões intensas de políticos da oposição e da própria base governista, que abandonaram o apoio ao mandatário.
Investigações e impactos financeiros
O Banco Central do Paraguai determinou a liquidação do Ueno após constatar insuficiências financeiras na concessão de empréstimos a empresas ligadas ao próprio conglomerado. O banco contava com cerca de 3 milhões de correntistas e aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo verbas da previdência. A Justiça já emitiu mandados de prisão contra executivos e determinou o bloqueio de bens de 27 investigados.
Desdobramentos políticos e econômicos
Diante do escândalo, a Associação de Bancos do Paraguai assegurou que o sistema financeiro segue operando normalmente para absorver a migração de contas. Antes de deixar o cargo, o ex-presidente sancionou uma lei para agilizar o ressarcimento das vítimas. Economista eleito em 2023, Peña viu seu mandato