Congresso do Paraguai analisa renúncia de Santiago Peña

O Congresso do Paraguai deu início, na tarde desta quinta-feira (5), a uma sessão conjunta decisiva para deliberar sobre a renúncia apresentada pelo presidente Santiago Peña. Em um comunicado divulgado via redes sociais, o mandatário justificou sua saída alegando que tomou a decisão “pensando na estabilidade do país, na paz social e na necessidade de preservar as instituições democráticas”.

Impeachment e disputa por imunidade

Enquanto a renúncia é analisada, a Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, o processo de impeachment contra o presidente, registrando 78 votos favoráveis. A tramitação seguiu imediatamente para o Senado. A oposição paraguaia insiste na continuidade do processo de impedimento para evitar que Peña mantenha o foro privilegiado. De acordo com a Constituição local, ex-presidentes tornam-se senadores vitalícios, o que lhes garante imunidade parlamentar contra processos na justiça comum. Caso o impeachment seja concluído, o direito ao cargo vitalício é perdido.

Posicionamento do Partido Colorado

A base governista, representada pelo Partido Colorado, também declarou apoio à remoção de Peña. Horacio Cartes, presidente da sigla, publicou uma nota oficial afirmando que o partido não irá tolerar “o roubo de fundos públicos, privados e de pensões”. Em contraste, a Câmara dos Deputados rejeitou o pedido de impeachment contra o vice-presidente Pedro Alliana, com 48 votos contrários e 30 a favor, deixando-o apto para assumir o comando do Executivo.

O histórico de Pedro Alliana

Aos 52 anos, Alliana possui uma trajetória consolidada entre o Executivo e o Legislativo. Ele serviu como governador entre 2008 e 2012, foi deputado de 2013 a 2023 — presidindo a Casa em diversas oportunidades — e liderou o Partido Colorado por oito anos. Atualmente, como vice, tem atuado de forma expressiva na política externa do país.

Crise do Ueno Bank e desdobramentos

O cenário de instabilidade foi catalisado pelo fechamento do Ueno Bank, instituição do Grupo Vázquez que entrou em liquidação após o Banco Central detectar déficits graves de solvência. Peña, economista que assumiu a presidência em 2023, foi acionista do grupo até março do ano passado. O banco detinha cerca de US$ 850 milhões em depósitos, incluindo fundos de pensão.

O governo enfrenta acusações de conflito de interesses e desvio de recursos. Durante a sessão legislativa, a deputada oposicionista Rocío Vallejo criticou duramente o presidente: “Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente… o senhor é a origem desse monstro que criou”. Em resposta, Peña prometeu que os responsáveis responderão à Justiça e apelou aos legisladores: “Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”.

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