Uma disputa familiar envolvendo uma fortuna de aproximadamente US$ 3,2 milhões (cerca de R$ 17,5 milhões) ganhou contornos inesperados nos Estados Unidos. O Tribunal de Apelações de Maryland anulou, em outubro de 2026, uma decisão judicial que inicialmente havia garantido a totalidade de um fundo patrimonial à filha mais velha do empresário iraniano Seyedkazem Amini-Nejad, falecido aos 95 anos em 2023.
O papel dos manuscritos na disputa judicial
A reviravolta no caso ocorreu após as irmãs mais novas, Eman e Elham, localizarem documentos no Irã contendo anotações manuscritas em persa. O material foi encontrado em uma pasta guardada pelo pai, que também abrigava procurações e o testamento do empresário. Segundo as irmãs, os registros sugeriam que o desejo do patriarca era de uma divisão igualitária dos bens entre as três filhas, o que contradizia o fundo criado em 2019, destinado exclusivamente a Ellahe, a irmã mais velha.
A batalha legal começou em janeiro de 2024, quando as irmãs acusaram Ellahe de exercer influência indevida sobre o pai. Além disso, levantaram dúvidas sobre a real compreensão do empresário — que era sócio de uma empresa de navegação — a respeito dos termos dos documentos, originalmente redigidos em inglês.
Defesa e o depoimento de especialistas
Ellahe sempre negou qualquer irregularidade, sustentando que a decisão de beneficiá-la foi tomada por vontade própria do pai. A tese da defesa foi corroborada por profissionais que acompanharam o caso na época das assinaturas. O advogado Kooresh Sobhani, responsável pela documentação, declarou ter conversado com o empresário em inglês e persa e confirmado sua intenção de deixar os recursos à filha mais velha. No mesmo sentido, um médico afirmou que não havia identificado problemas na capacidade de Seyedkazem de tomar decisões na época.
Por que a Justiça anulou o julgamento?
O primeiro veredito, proferido em abril de 2025, havia sido favorável a Ellahe. No entanto, o Tribunal de Apelações identificou um erro processual grave: o juiz do caso teria exigido dos jurados um nível de prova mais rigoroso do que o exigido legalmente, o que pode ter prejudicado o julgamento das irmãs mais novas.
É importante ressaltar que a anulação da sentença não significa que tenha sido comprovada fraude ou que a herança será obrigatoriamente repartida. O processo retornará agora para o tribunal do Condado de Howard, onde o litígio será reiniciado, mantendo em aberto o destino dos milhões de dólares e a interpretação final sobre a real vontade do falecido empresário.