Os representantes legais de Welber Felippe, investigado pela morte de Larissa Pereira Macêdo, de 32 anos, refutam a classificação do caso como feminicídio. O óbito ocorreu após a vítima ser atropelada por um caminhão em Aparecida de Goiânia.
Posicionamento jurídico da defesa
A advogada Danyella Cardoso Qualhato Chiarini argumenta que não existem provas que justifiquem a tipificação penal de feminicídio. Segundo a defesa, a conclusão das autoridades deve ser pautada por elementos técnicos e não por comoção social.
“A defesa não reconhece a existência de elementos concretos que sustentem a tipificação dos fatos como feminicídio, especialmente diante da versão apresentada por Welber perante a autoridade policial, na qual negou qualquer intenção de causar a morte de Larissa”, declarou.
A advogada acrescentou ainda que: “O enquadramento jurídico dos fatos dependerá da conclusão das investigações e da análise criteriosa de todos os elementos probatórios reunidos”. Além disso, a defesa sustenta que a acusação deve se basear em evidências, “e não de especulações ou da repercussão pública do caso”.
Versão do suspeito sobre o atropelamento
De acordo com o relato prestado à Polícia Civil, Welber alega que o incidente ocorreu após uma briga do casal. Ele teria entrado no caminhão para se afastar da discussão, momento em que a vítima subiu nos degraus da cabine.
O suspeito afirmou não ter visto o momento exato da queda de Larissa. “Esclareceu que a cabine estava fechada, com o vidro completamente erguido, e que não conseguia visualizar Larissa na lateral do caminhão durante o deslocamento”, informou a advogada.
Sobre a reação pós-atropelamento, a defesa pontuou: “Welber afirmou que, ao perceber o ocorrido, tentou imobilizar o caminhão, que estava carregado, circunstância que dificultava sua parada imediata. Ao constatar a gravidade da situação, relatou ter ficado completamente desesperado e, temendo ser agredido pelas pessoas que pudessem se aproximar, entrou em contato com um amigo, solicitando que providenciasse socorro para Larissa. Em seguida, deixou o local, profundamente abalado.”
Questionamentos sobre agressões anteriores
A defesa negou qualquer histórico de violência doméstica durante os três anos de relacionamento. Sobre relatos de testemunhas, incluindo a filha de 9 anos da vítima, que teria presenciado uma agressão física antes do atropelamento, a advogada declarou que “as informações que poderia apresentar neste momento já foram repassadas”.
“Eventuais divergências entre os relatos deverão ser esclarecidas pelas autoridades competentes, mediante a análise técnica dos elementos probatórios. A defesa não pretende transformar uma investigação tão delicada em um debate público de versões”, concluiu.
O caso segue sob apuração do Grupo de Investigações de Homicídios (GIH). Welber Felippe apresentou-se espontaneamente à delegacia dois dias após o ocorrido e foi liberado após prestar depoimento.