Especialista aponta fragilidade fiscal na economia brasileira

A resiliência da economia brasileira diante dos desafios recentes pode estar com os dias contados. De acordo com Jeferson Bittencourt, economista da gestora ASA Investments e ex-secretário do Tesouro Nacional, a estabilidade observada até agora foi sustentada por um contexto internacional que, até pouco tempo, demonstrava maior tolerância com o descontrole das contas públicas.

O fim da leniência fiscal global

O especialista argumenta que o ambiente externo passou por uma transformação profunda. Enquanto anteriormente os mercados globais permitiam certos desequilíbrios, as principais economias do mundo agora começam a adotar uma postura mais rigorosa. “Só conseguimos chegar até aqui porque o mundo vivia um período de leniência fiscal”, afirmou Bittencourt durante entrevista.

Riscos do endividamento brasileiro

O diagnóstico para o Brasil é de alerta. O país atravessou o início do atual mandato com um déficit expressivo, mantendo-se em patamares próximos a 0,5% em um cenário de taxa Selic elevada. Para o economista, a sustentabilidade da dívida pública é uma preocupação central, especialmente porque o impacto da deterioração fiscal não ocorre de maneira constante.

“Os efeitos disso não serão lineares, mas vão piorar exponencialmente a partir de determinado nível”, alertou o ex-secretário do Tesouro. Segundo ele, a capacidade de honrar compromissos financeiros futuros ficaria gravemente comprometida caso o endividamento continue a crescer na mesma proporção vista anteriormente.

Perspectivas para o ajuste fiscal

Em meio ao debate sobre a condução econômica, o analista Caio Junqueira ponderou sobre as estratégias do governo. A expectativa do mercado não é de um ajuste profundo como o de 2003, mas sim de uma tentativa de evitar a crise vivenciada entre 2014 e 2015. A estratégia atual deve focar em um controle mais contido do resultado primário, utilizando o bloqueio de verbas e a busca por ampliar a arrecadação, em vez de focar em um corte efetivo de gastos públicos.

Com a combinação de juros altos, crescimento econômico lento e contas públicas pressionadas, a trajetória da dívida brasileira permanece como o principal ponto de atenção para os agentes financeiros nos próximos meses.

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