Centenas de milhares de pessoas devem tomar as ruas de diferentes cidades francesas nesta quinta-feira (5), acompanhadas por uma paralisação geral de servidores públicos. O movimento representa um teste decisivo para o presidente Emmanuel Macron, ocorrendo a apenas cinco meses da eleição presidencial e após semanas de forte instabilidade política.
Escalada de tensão e segurança reforçada
A mobilização foi organizada por centrais sindicais, como a de esquerda CGT, e conta com o forte apoio de organizações estudantis. O cenário atual é reflexo de insatisfações com o custo de vida, a situação da educação e a qualidade dos serviços públicos, que já haviam provocado confrontos severos recentemente. Para evitar novos episódios de violência, as autoridades locais decidiram mobilizar cerca de 70 mil policiais em todo o território nacional, conforme divulgado pela BFM TV. Os serviços de inteligência estimam que entre 500 mil e 700 mil manifestantes participem dos atos fora da capital.
A preocupação do poder Executivo aumentou após episódios de tumultos e saques registrados no dia 17 de outubro, que pegaram as forças de segurança desprevenidas e geraram fortes críticas à condução da crise pela gestão atual. “Estamos extremamente vigilantes porque está fora de cogitação reviver o 17 de outubro”, disse a porta-voz do governo, Maud Bregeon, em coletiva de imprensa após a reunião do conselho de ministros nesta quarta-feira (4).
Impacto nos serviços e adesão estudantil
Os reflexos da greve já atingem setores estratégicos da economia e da infraestrutura do país. O Ministério da Educação estimou que 17,5% dos professores da rede pública de ensino fundamental devem cruzar os braços, enquanto sindicatos apontam que o transporte público e o setor ferroviário também enfrentarão interrupções. Além disso, trabalhadores do setor de energia vinculados à estatal EDF confirmaram adesão à paralisação, reacendendo o temor de impactos no fornecimento de eletricidade e gás, a exemplo do que ocorreu em setembro.
Os estudantes continuam na linha de frente dos atos, apontando a precariedade nas escolas e a incerteza em relação ao futuro profissional como principais motivações para os protestos. “Estamos tentando nos manter mobilizados o máximo possível. Algumas pessoas não estão participando porque têm medo. Muita gente tem medo da violência policial”, disse Irma de Banville, uma estudante de 19 anos em Paris. Enquanto o governo assegura que possíveis abusos cometidos por agentes serão apurados, as táticas policiais continuam sendo defendidas oficialmente.
Estratégia do governo para conter a crise