Aos 40 anos, a engenheira civil Carolina Lacerda quebrou uma barreira histórica no setor de construção de Goiás. Ela se tornou a primeira mulher a assumir a presidência do Sindicato da Indústria da Construção no Estado de Goiás (Sinduscon-GO). Eleita na última terça-feira, 3, a profissional também detém o recorde de ser a pessoa mais jovem a ocupar o cargo máximo da entidade.
Trajetória e formação no Sinduscon-GO
Com 22 anos de carreira, a nova presidente possui formação técnica em edificações e graduação em engenharia civil pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Ela destaca que o sindicato foi fundamental para o seu amadurecimento profissional por meio de treinamentos contínuos.
“Boa parte do complemento da minha formação se deu dentro do Sinduscon, através dos cursos, dos treinamentos e da capacitação que foi ofertada ao longo de toda a minha carreira”, conta.
Sua entrada na diretoria aconteceu na gestão anterior, quando assumiu a Diretoria de Comunicação Social. Carolina admite que o convite foi inesperado, mas aceitou por acreditar no papel institucional da entidade.
“Recebi com muita surpresa o convite, não era uma coisa que eu almejava, mas eu sempre valorizei muito o trabalho do sindicato em termos de fortalecimento do setor”, relembra.
Protagonismo feminino na construção
Para a nova presidente, sua eleição carrega uma responsabilidade que vai além da gestão técnica. Ela entende que sua presença no comando do Sinduscon-GO serve como um marco para outras mulheres que buscam espaço em um ambiente historicamente masculino.
“É uma responsabilidade muito grande. Primeiro, por acreditar e saber que o setor precisa passar por uma transformação. E também pela responsabilidade de ser a primeira mulher e a pessoa mais jovem a assumir. É uma responsabilidade não só com o setor, mas com as mulheres do setor”, afirma.
Ocupação de espaços de decisão
Carolina enfatiza que a presença de mulheres não deve se restringir aos quadros operacionais das empresas. Ela defende que a igualdade deve chegar aos cargos de liderança e diretoria.
“Não adianta a empresa ter 50% de mulheres no quadro de funcionários. É ter pelo menos 50% no quadro de decisão, porque a gente tem um setor repleto de mulheres competentes”, pontua.
Ao abordar as dificuldades enfrentadas por outras profissionais, ela reconhece que o caminho ainda possui obstáculos, mas incentiva a ocupação desses postos:
“Não estou falando que é fácil, mas estou falando que o espaço existe. Eu sempre uso uma expressão: se alguém te abre a porta para participar, para entrar em uma sala, sente-se à mesa de decisão. A gente precisa ocupar esses espaços”, defende.
Desafios estratégicos para o setor
Além da agenda de representatividade, a gestão de Carolina terá pela frente pautas complexas como a Reforma Tributária, a escassez de mão de obra qualificada, a alta nos custos de insumos e a necessidade de diálogo com o poder público para agilizar a aprovação de projetos.
“É um setor que constrói a cidade. Além de emprego e renda, a gente constrói e traz desenvolvimento. E, mais do que isso, gera receita para a cidade. Então, nada mais justo que o município aplique a lei que existe para fazer as aprovações necessárias”, argumenta.
Ao definir sua nova função, que não é remunerada, a engenheira enxerga o trabalho como uma doação em prol do desenvolvimento coletivo.
“Para mim, parte dessa decisão é uma doação. É um cargo que não é remunerado. A remuneração dele não é dinheiro, mas é muito maior do que dinheiro, porque é o desenvolvimento do setor”, afirma.
A expectativa é que, ao final de seu mandato, o legado deixe o caminho pavimentado para que a liderança feminina seja uma realidade consolidada na construção civil. “A gente precisa ocupar esses espaços de decisão”, conclui.