Fisioterapeuta usa abraços para motivar idosa de 94 anos em Itapaci

Um abraço em troca de um exercício. Foi dessa maneira que a fisioterapeuta Mayza Rodrigues Ferreira, de 28 anos, encontrou uma forma de incentivar Dona Benedita Pereira, de 94, a participar das sessões de reabilitação em Itapaci. O vínculo emocionante entre as duas ganhou repercussão nacional nas redes sociais após um vídeo registrar a profissional persuadindo a paciente a realizar uma caminhada. A cena coroa um ano de acompanhamento dedicado, período em que a idosa recuperou parte da mobilidade e da autonomia.

Estratégia de afeto na reabilitação

Em entrevista, Mayza explicou que a cena registrada no vídeo aconteceu durante uma tentativa de estimular a paciente a caminhar. A oferta de um abraço, segundo ela, é uma forma de tornar os exercícios mais leves e incentivar a participação da idosa. “Eu sempre uso a técnica de oferecer um abraço em troca dela fazer um exercício”, contou a fisioterapeuta.

Atualmente, Dona Benedita já consegue caminhar em alguns momentos, quando se sente disposta. O quadro anterior era de fraqueza e dificuldades severas de mobilidade decorrentes da idade avançada. A proximidade começou logo nos primeiros encontros, quando a paciente pedia para sentar no colo da profissional ou segurar sua mão.

Conexão além da fisioterapia e momentos de carinho

Mesmo diagnosticada com Alzheimer — o que faz com que, por vezes, não reconheça a fisioterapeuta —, Dona Benedita demonstra manter uma conexão afetiva profunda. Em uma ocasião, após receber um abraço e um sorriso, a idosa respondeu prontamente ao ser questionada sobre quem era a profissional: “É uma pessoa muito boa”.

A rotina é repleta de episódios marcantes. Após recuperar os movimentos, a idosa chegou a tentar fugir e até demonstrou ciúmes ao assistir a um vídeo de Mayza atendendo outra paciente. A família também relata transformações profundas. A filha de Dona Benedita destacou a melhora na qualidade de vida da mãe: “Você trouxe vida para minha mãe, a gente já não sabia mais o que fazer. Não melhorou só o corpo dela, mas também o psicológico e o meu também, de ver ela assim tão bem”, relatou Mayza sobre a conversa que teve com a familiar.

Reconhecimento e empatia na saúde

Após a viralização dos registros na internet, a profissional passou a receber inúmeras mensagens de apoio e identificação com a história. Para Mayza, a experiência reforça a convicção de que a sensibilidade humana deve caminhar junto ao conhecimento técnico nos atendimentos clínicos.

A filosofia de trabalho da fisioterapeuta é resumida em sua visão sobre o cuidado humanizado. “Não se faz saúde sem afeto”, destaca, complementando com uma reflexão sobre a prática profissional: “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas, ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”. Por fim, a especialista reforça o papel da empatia: “A forma como você trata os pacientes faz total diferença na evolução deles. Não custa nada ter um olhar mais humano, ter empatia, já que escolhemos ser profissionais da saúde e os pacientes não escolheram precisar da gente”.

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