O prefeito de Campestre do Maranhão, Fernando Bermuda (Republicanos), gerou polêmica ao sinalizar a interrupção ou redução de serviços essenciais na cidade após o resultado das eleições de 2026. O gestor, que anteriormente havia ameaçado demitir servidores que não apoiassem Flávio Bolsonaro (PL), agora condiciona a manutenção da máquina pública ao desempenho dos candidatos de direita nas urnas.
Ameaça aos serviços públicos
Em vídeo compartilhado em grupos de mensagens locais, o prefeito afirmou que está “lambendo as feridas, tentando sara-las”. No mesmo material, ele responsabiliza diretamente os eleitores que escolheram candidatos de oposição por eventuais falhas na prestação de serviços básicos, como saúde e infraestrutura urbana.
“A população que votou nos outros [candidatos], quando chegar no hospital, lembre-se: se faltar algum recurso, faltar remédio, médico, [sic] algum buraco na rua, o que faltar de serviços públicos, foi o seu voto que contribuiu para isso”, disse Bermuda em um vídeo após o segundo turno do pleito em que Lula (PT) saiu vitorioso.
Impacto na saúde e contradições
O gestor alegou que a saúde pública seria o setor mais impactado pela falta de investimentos de parlamentares aliados. Segundo o prefeito, ele não teria condições orçamentárias de sustentar a estrutura atual, que inclui atendimento 24 horas e oito ambulâncias. “Não vou conseguir fazer show. A parte da saúde é onde será mais afetada, porque o recurso que vem não dá para cobrir o que eu faço”, afirmou.
Contudo, o discurso de escassez financeira contrasta com os dados oficiais. Em 2026, Campestre do Maranhão recebeu mais de R$ 41 milhões em repasses estaduais e federais, além de R$ 17,7 milhões destinados a programas sociais. Além disso, aliados apoiados por Bermuda, como os deputados Pedro Lucas Fernandes e Paulo Casé Fernandes, foram eleitos com votações recordes no estado.
Posicionamento da prefeitura
Após a repercussão, a administração municipal emitiu nota oficial negando o boicote total. Segundo o texto, a gestão estuda uma “readequação temporária” nos procedimentos para garantir o funcionamento da rede até o final de 2026, alegando que os repasses da Média e Alta Complexidade (MAC) são insuficientes e dependem de emendas parlamentares extras.
A nota da prefeitura reforça: “A medida busca ajustar o quantitativo de atendimentos e procedimentos, bem como reorganizar a oferta de especialidades, priorizando as demandas mais essenciais e garantindo a continuidade da assistência até o final de 2026.”