O PL saiu das eleições de 2026 fortalecido, mas enfrentará grandes obstáculos para converter o resultado das urnas em influência real na cúpula do Legislativo. Na Câmara dos Deputados, o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) costurou uma articulação política que assegura sua reeleição até o momento e pressiona a legenda liderada por Flávio Bolsonaro. Paralelamente, no Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) adota tática semelhante para neutralizar o avanço da oposição na disputa pelo comando da Casa.
A estratégia de Hugo Motta na Câmara
Franjas do chamado Centrão que declararam apoio a Flávio no segundo turno presidencial agora articulam a recondução de Motta, que atuou ativamente na campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O chefe da Câmara também foi responsável por impulsionar a aprovação de pautas de interesse do Palácio do Planalto, a exemplo do fim da escala 6×1 e da ampliação do teto de faturamento para microempreendedores individuais (MEIs).
Embora as legendas alinhadas a Flávio tenham conquistado 286 cadeiras na Câmara contra 124 dos partidos governistas, essa vantagem numérica não se consolidou em uma frente unificada para liderar a Casa após a virada do petista. Atualmente, Motta contabiliza o respaldo de 15 partidos que somam 361 deputados. Para garantir a vitória logo no primeiro turno da eleição marcada para 1º de fevereiro de 2027, o parlamentar precisará de 257 votos.
O impasse do PL e os riscos na nova legislatura
Com 121 deputados eleitos, o PL terá a maior bancada da Câmara, porém carece de capilaridade para lançar uma candidatura viável de forma isolada. Uma eventual adesão da legenda ao grupo de Motta elevaria a base de apoio para 482 parlamentares. Contudo, a proximidade do presidente da Câmara com o governo federal gera resistência interna, expressa publicamente por nomes como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).
Após um encontro de mais de duas horas na sede da legenda, o líder do partido na Casa, Sóstenes Cavalcante (RJ), declarou o adiamento da decisão final para o dia 11 de novembro:
“Na Câmara dos Deputados, nós ainda faremos na próxima semana, na quarta-feira, uma reunião com toda a bancada para ouvir o sentimento, inclusive, dos novos eleitos, porque a gente não pode tomar uma decisão nessa legislatura que vai impactar no dia 1º de fevereiro, onde nós teremos o acréscimo de 32 novos parlamentares. A gente precisa ouvir todo mundo”, afirmou.
Caso decida ficar de fora do bloco majoritário, o partido do presidente nacional Valdemar Costa Neto corre o risco de perder espaço em comissões estratégicas — como a Comissão de Constituição e Justiça e a Comissão de Saúde —, além de menor poder de barganha na Mesa Diretora e na distribuição de recursos de emendas parlamentares.
Movimentações no Senado e os acenos de Alcolumbre
No Senado, a dinâmica oposicionista seguiu outro rumo com a oficialização da candidatura de Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio, para enfrentar Alcolumbre. Contando com 29 senadores e o reforço de três parlamentares do Partido Novo, o bloco precisa atingir 41 votos. O principal entrave para a consolidação da chapa é a pré-candidatura de Tereza Cristina (PP-MS), embora ambos negociem uma união de forças para evitar o racha na direita.
Enquanto o cenário não se define para fevereiro, Alcolumbre trabalha para esvaziar a resistência costurando acordos institucionais. O presidente do Senado deve referendar a indicação do senador Eduardo Gomes (PL-TO) para a relatoria da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027.
Em declaração, Gomes pontuou que a escolha atende ao trâmite regimental da Comissão Mista de Orçamento (CMO):
“Sou da CMO desde março. Assim como todos os relatores, somos nomeados pelo presidente da CMO pela indicação dos líderes, assim como o Eduardo Braga e o relator-geral. Daí o presidente Davi referenda e publica todas as indicações”, afirmou.
Apesar de integrar a oposição, Eduardo Gomes mantém estreita interlocução com Alcolumbre, evidenciando a complexidade das negociações que moldarão a configuração de poder no Congresso Nacional.