O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reapareceu publicamente na quinta-feira (5) durante um jantar de gala da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), realizada em Mar-a-Lago, propriedade de Donald Trump em Palm Beach, na Flórida. A aparição ocorreu dez dias após o parlamentar deixar o Brasil, em 27 de outubro, logo após ser derrotado por Lula (PT) na disputa presidencial.
Participação na CPAC e discursos
Durante o evento conservador, Flávio subiu ao palco ao lado do irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, e do presidente da CPAC, Matt Schlapp. O senador discursou sobre o pleito brasileiro e afirmou que pretende manter sua atuação política a partir dos Estados Unidos, além de voltar a questionar o resultado das urnas sem apresentar provas.
“Grandes coisas estão por vir e eu sei que não foi o fim para o Brasil e eu sei que não foi o fim para a América”, declarou o parlamentar no palco da conferência.
Investigação sobre saída do brasil e passaportes
A viagem aos Estados Unidos aconteceu apesar de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibia o senador de deixar o país. Intimado em 26 de outubro a entregar seus passaportes à Polícia Federal, Flávio não cumpriu a ordem, teve os documentos cancelados e saiu do território nacional sem registro nos postos migratórios oficiais, gerando uma investigação por lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Questionado pelo jornal americano The New York Times sobre a viagem, o parlamentar recusou-se a dar explicações. “Vou levar isso para o túmulo”, afirmou, negando auxílio de governos estrangeiros, embora a imprensa internacional tenha noticiado suposta participação de um integrante da Casa Branca na logística, o que foi negado pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio.
Encontro com ator de filme biográfico
Na conferência em solo americano, Flávio encontrou-se com o ator Jim Caviezel, escolhido para interpretar Jair Bolsonaro no filme “Dark Horse”. A produção é alvo de investigações sobre seu financiamento, que apontam ligações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
A edição da CPAC em Mar-a-Lago ocorre em meio a repercussões políticas e judiciais envolvendo o grupo político da família Bolsonaro, que mantém articulações no exterior enquanto enfrenta restrições da justiça brasileira.