O novo presidente do Paraguai, Pedro Alliana, assumiu o cargo após a destituição de Santiago Peña e exigiu que sua equipe execute “ações imediatas” para amparar os cidadãos atingidos pela crise no Ueno Bank, banco privado que passou por intervenção e abriga contas de aproximadamente 3 milhões de paraguaios.
Discurso de posse e foco nos poupadores
Alliana prestou juramento perante o Congresso e substituiu Peña, destacando que a administração atual precisa focar nas demandas mais urgentes da população. “O Paraguai que recebemos hoje apresenta urgências que nos obrigam a estar nas ruas, nos hospitais e no campo. O que venho prometer é concreto”, declarou o chefe de Estado em seu primeiro pronunciamento oficial.
O mandatário também garantiu que haverá suporte financeiro para os cidadãos prejudicados pelo colapso econômico na instituição privada. “Os compatriotas que hoje atravessam um momento difícil, em decorrência do colapso financeiro, serão plenamente compensados. Não os deixaremos sozinhos. Determino que sejam tomadas ações imediatas para ressarcir os poupadores, dando prioridade aos menos favorecidos; não quero ninguém hesitante à frente desta missão, quero resultados”, afirmou.
Origem do escândalo e queda de Santiago Peña
O Ueno Bank, pertencente ao Grupo Vázquez, encerrou suas atividades após o Banco Central do Paraguai iniciar a liquidação da empresa devido a problemas de solvência causados por empréstimos a companhias ligadas ao grupo. A instituição financeira detinha cerca de 3 milhões de clientes e acumulava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos, incluindo fundos do Instituto de Previdência Social.
Antes de sua derrocada política e prisão, Santiago Peña enfrentou graves acusações da oposição por conflito de interesses e suposto encobrimento pelo Banco Central. Durante as sessões no Legislativo, a gravidade da situação foi duramente criticada. “Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente… o senhor é a origem desse monstro que criou”, pontuou a deputada oposicionista Rocío Vallejo.
Consequências políticas no país
Pedro Alliana ficará responsável por concluir o mandato presidencial que teve início em 2023 e tem encerramento previsto para 2028. Antes de deixar o poder, Peña promulgou uma legislação voltada para acelerar a restituição de valores aos clientes afetados, além de apelar pela união política. “Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, declarou nas redes sociais.
A crise institucional gerada pela quebra do banco privado expõe a fragilidade regulatória e marca um momento de intensa instabilidade política no cenário paraguaio, exigindo respostas rápidas do atual governo.