Santiago Peña é preso no Paraguai horas após sofrer impeachment

O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi preso nesta sexta-feira, 6, cumprindo determinação expedida por quatro promotores do Ministério Público. A detenção ocorreu em sua residência logo após o Senado paraguaio concluir o processo de impeachment que resultou em sua destituição do cargo, e ele cumprirá prisão domiciliar.

Investigação sobre o Ueno Bank

A medida ocorre em meio às investigações sobre supostas irregularidades financeiras envolvendo o Ueno Bank. Peña é investigado por suspeitas de gestão fraudulenta e outros possíveis crimes relacionados ao escândalo bancário que provocou uma profunda crise política no país sul-americano. A apuração também examina as relações financeiras do ex-mandatário e de seus familiares com empresas ligadas à instituição.

Documentos oficiais apontam que, em sua declaração patrimonial de 2023, Peña informou possuir ações da Ueno Holding avaliadas em 6,144 bilhões de guaranis, participação que teria sido vendida em abril de 2025. Além disso, o político declarou um certificado de depósito de 2,4 bilhões de guaranis no banco e um título da Itti, empresa focada no desenvolvimento de softwares financeiros. Outro ponto sob escrutínio é a atuação de seu irmão como sócio da U Holding SARL, apontada como um dos instrumentos para controlar o Ueno Bank.

Crise política e perda de sustentação

A derrocada do governo aconteceu no mesmo dia em que o Senado aprovou o impeachment, abreviando o mandato que deveria se estender até 2028 com o apoio de pelo menos dois terços dos parlamentares. O cenário de instabilidade se agravou após o bloqueio de depósitos de clientes do Ueno Bank, instituição que atende aproximadamente 2,9 milhões de correntistas e administrava cerca de R$ 4,5 bilhões em recursos públicos, incluindo valores da Previdência.

O desgaste culminou com a perda de apoio de integrantes do Partido Colorado, impulsionada pelo rompimento com o ex-presidente Horacio Cartes, principal liderança da legenda. A oposição também acusou Peña de favorecer o Grupo Vázquez, controlador do banco, e de interferir em órgãos de fiscalização financeira, citando a nomeação de Carlos Carvallo Spalding — ex-executivo do grupo — para a presidência do Banco Central paraguaio, cargo do qual renunciou na mesma semana.

Tentativa frustrada de renúncia e desdobramentos

Na véspera da votação, na quinta-feira (5), Santiago Peña anunciou que deixaria voluntariamente a Presidência. Contudo, a renúncia não chegou a ser formalizada pelo Congresso, que optou por prosseguir com o julgamento político. Durante a sessão, a defesa solicitou um prazo de 72 horas para analisar os documentos, mas o pedido foi rejeitado pelos legisladores.

Com a perda do cargo e da imunidade associada ao mandato presidencial, Peña perdeu as prerrogativas do cargo e agora responderá diretamente às investigações criminais ordinárias. O episódio marca um novo momento de turbulência institucional no Paraguai, ecoando o impeachment sofrido pelo ex-presidente Fernando Lugo em 2012.

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