O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quinta-feira (05) que manteve uma conversa reservada com um representante do governo de Vladimir Putin. O russo Kirill Dmitriev esteve na Casa Branca no mesmo dia em que participou de um evento ao lado de autoridades da Ucrânia, organizado pela primeira-dama Melania Trump.
Negociações e perspectivas para a Europa
Embora não tenha divulgado os detalhes do diálogo com Dmitriev, o líder norte-americano sinalizou que um pacto para solucionar o conflito armado poderá ser alcançado em breve. A expectativa é de que uma delegação dos Estados Unidos atue como mediadora em novas conversas entre Moscou e Kiev agendadas para os dias 10 e 11 de novembro em Abu Dhabi.
“Será um grande acordo e envolverá mais do que apenas a Ucrânia… Eu poderia até dizer que talvez envolva toda a Europa. Será um acordo grande e maravilloso, e todos ficarão entusiasmados”, afirmou Trump.
O republicano também destacou que não manteve contato direto com a delegação ucraniana durante a visita. Paralelamente, o enviado especial Jared Kushner informou que representantes norte-americanos debateram garantias de segurança em Bruxelas com aliados da OTAN.
“Estamos trabalhando intensamente com todas as partes para encontrar soluções práticas que possam pôr fim a esta guerra e estabelecer as bases para uma paz duradoura”, escreveu ele em uma publicação nas redes sociais.
O papel humanitário e a articulação de Melania Trump
A presença de Dmitriev na capital norte-americana integrou uma agenda voltada a marcar o recente cessar-fogo de seis dias na cidade de Oleshky, cuja negociação contou com o apoio de Melania Trump.
“Escolhemos a humanidade em vez da guerra”, disse a primeira-dama durante o evento.
O engajamento da esposa do presidente foi elogiado publicamente, com o mandatário destacando em ocasiões anteriores o sucesso de sua atuação nas tratativas humanitárias. Representantes ucranianos presentes no encontro entregaram à primeira-dama uma condecoração oficial e cartas direcionadas aos líderes da Rússia e da Ucrânia.
Cenário político interno e panorama internacional
O intercâmbio diplomático ocorre logo após as eleições legislativas de meio de mandato, nas quais o Partido Democrata assumiu o controle do Congresso. A nova composição legislativa, que assume em janeiro, poderá impor barreiras e pressionar por maior apoio financeiro e militar a Kiev.
Apesar das mudanças no cenário político interno e das críticas recentes direcionadas a Volodymyr Zelensky, o Kremlin manifestou expectativa de que a administração norte-americana mantenha os esforços diplomáticos. Autoridades russas também confirmaram que há tratativas em andamento para viabilizar uma cúpula trilateral envolvendo Trump, Vladimir Putin e Xi Jinping durante o fórum da APEC na China.