Herbert Caro: a trajetória do brilhante tradutor alemão em Porto Alegre

Nascido em Berlim em 1906, Herbert Moritz Caro construiu um legado monumental na literatura brasileira após desembarcar em Porto Alegre em 9 de maio de 1935. Fugindo do regime nazista de Adolf Hitler, o intelectual iniciou sua jornada no país enfrentando severas dificuldades financeiras ao lado da esposa, Nina, e da sogra, exercendo funções que iam desde aulas de idiomas até o trabalho como caixeiro viajante no interior gaúcho.

Da Editora Globo ao reconhecimento nacional

Após passagens por uma fábrica de ferragens e pelo escritório de um exportador de couros, Caro integrou a célebre equipe da Editora Globo. Na lendária Sala dos Tradutores, trabalhando ao lado de nomes como Paulo Rónai, Manuel Bandeira e Mario Quintana, ele aprimorou seu domínio do português e consolidou sua reputação na arte da tradução literária.

Sozinho, traduziu obras fundamentais como “Os Buddenbrook” e “A Montanha Mágica”, ambas de Thomas Mann. Sobre sua consolidação no mercado editorial brasileiro, ele afirmou: “Cheguei à fama de ser o melhor tradutor de alemão no Brasil”.

O intelectual multifacetado e cronista

Além de traduzir autores consagrados como Elias Canetti e Hermann Broch, Caro destacou-se como cronista no jornal “Correio do Povo”, com a coluna “Balcão de Livraria”. Apoiado por amigos ilustres como Erico Verissimo, ele registrou o cotidiano cultural de Porto Alegre, mantendo viva sua paixão por literatura, discos e música erudita.

A identidade entre o exílio e a adaptação

Embora tenha adotado hábitos locais — como frequentar o Estádio Beira-Rio para torcer pelo Internacional, paixão destacada pelo cronista Luis Fernando Verissimo —, amigos e pesquisadores apontam que ele manteve forte ligação com suas raízes berlinesas. Conforme ressalta Moacyr Scliar sobre os intelectuais marcados pelo desterro, figuras como Caro encontraram no Brasil um refúgio seguro, transformando-se em pontes definitivas entre a cultura europeia e os leitores brasileiros.

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