Crise no Paraguai leva queda de Santiago Peña e revolta popular às ruas

Uma multidão tomou as ruas de Assunção nesta sexta-feira (6.nov.2026) para celebrar a queda do presidente Santiago Peña, filiado ao Partido Colorado, de direita. A destituição do mandatário foi sacramentada pelo Senado após dias de intensos protestos populares desencadeados pela quebra do Ueno Bank na segunda-feira (2.nov), evento que provocou o congelamento de contas e de verbas previdenciárias.

Impeachment e detenção em Assunção

A manobra política que removeu Peña do poder ocorreu por meio da aprovação unânime dos congressistas presentes na sessão. O governante havia tentado renunciar antes do desfecho do julgamento, mas a reunião convocada para apreciar o documento fracassou por falta de quórum. A intenção dos legisladores era efetivar a saída formal para que ele perdesse o foro privilegiado. Diante disso, o processo seguiu adiante, com a apresentação da acusação e da defesa, culminando no impeachment — o segundo registrado na história do país.

Embora a perda do mandato presidencial não equivalga a uma condenação criminal, o ex-chefe do Executivo acabou sendo preso em sua própria residência na capital paraguaia logo após o julgamento político. As investigações apontam suspeitas de irregularidades ligadas ao banco em questão, nas quais Peña é apontado como alvo, embora ele negue veementemente qualquer envolvimento. Vale destacar que o político atuou como acionista do grupo controlador da instituição financeira até o ano de 2025.

Pressão popular e transição de poder

Os atos de rua tiveram início logo na terça-feira (3.nov), quando o processo de resolução da instituição financeira foi deflagrado. O receio generalizado quanto ao sumiço de recursos pertencentes ao IPS (Instituto de Previdência Social do Paraguai) impulsionou a revolta cidadã. Com o afastamento, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu imediatamente a liderança da nação.

Nas imediações do Panteão Nacional dos Heróis, no coração da capital, manifestantes portando bandeiras nacionais e cartazes contra a impunidade comemoraram a decisão com buzinas, abraços e gritos de “Conseguimos!”. Apesar da festa política, os cidadãos seguem mobilizados exigindo a restituição integral das quantias retidas pelo banco.

Ações do Banco Central

Para tentar conter a instabilidade econômica, o BCP (Banco Central do Paraguai) informou que continua executando o calendário de repasses do FGD (Fundo de Garantia de Depósitos), mecanismo criado para indenizar correntistas conforme as normas vigentes no mercado financeiro nacional.

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