Manifestações pacíficas de estudantes na capital francesa foram interrompidas pela intervenção da polícia, que utilizou cassetetes e gás lacrimogêneo. O episódio ocorreu durante atos organizados por alunos da Sciences Po, somando-se a uma onda de mobilizações que tomou diferentes regiões do território francês e mobilizou mais de 450 mil jovens e apoiadores.
Origem das reivindicações e crise nas escolas
O movimento começou com o bloqueio de escolas de ensino médio devido à infraestrutura precária, incluindo problemas como escassez de docentes, prédios inadequados para enfrentar as mudanças climáticas e cronogramas sobrecarregados. Rapidamente, o descontentamento uniu universitários que exigem ampliação de bolsas de estudo, novos alojamentos estudantis e o fim do atual modelo seletivo de acesso ao ensino superior.
Críticas à gestão governamental e violência
As demandas também incluem o aumento de verbas para os restaurantes estudantis, cuja superlotação aumentou após a redução do preço das refeições para um euro sem a expansão proporcional da infraestrutura. Além disso, há protestos contra a remoção do auxílio-moradia para alunos não europeus e o encarecimento drástico das anuidades universitárias. A resposta do governo do primeiro-ministro Sébastien Lecornu tem sido marcada por forte repressão policial coordenada pelo ministro do Interior, Laurent Nuñez, gerando revolta entre pais e educadores após casos graves de ferimentos em adolescentes.
Ações da diretoria acadêmica
Em meio às tensões, a direção da Sciences Po decidiu cancelar as aulas presenciais para conter a articulação dos alunos, mantendo uma postura rigorosa iniciada em protestos anteriores ocorridos em 2024. Enquanto o governo tentou propor debates e plataformas digitais para receber queixas — iniciativas rejeitadas por sindicatos de diretores e pelos próprios manifestantes —, autoridades apontam uma suposta manipulação política por parte da oposição.
Apesar das acusações governamentais de interferência partidária ligada ao partido A França Insubmissa, os manifestantes ressaltam que a revolta é autônoma e reflexo de quase uma década de políticas associadas à gestão de Emmanuel Macron. O movimento reflete um cenário de instabilidade e perda de direitos que continua atraindo solidariedade internacional.