Mercado financeiro reage a eleições e inflação alta no país

O mercado financeiro iniciou as negociações em clima de cautela, refletindo tanto os desdobramentos políticos quanto o avanço oficial dos preços internos. A moeda americana registrou baixa no início das operações, enquanto os investidores digeriam as projeções para a reta decisiva da corrida presidencial.

Cenário inflacionário e impacto nos juros

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) avançou 0,82% em setembro, revertendo o cenário de deflação de 0,32% visto no mês anterior. O resultado oficial superou a mediana das expectativas do mercado, que apontava para uma alta de 0,76%, segundo levantamento da agência Bloomberg. Trata-se da maior taxa para o mês de setembro em cinco anos.

Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, o Ibovespa deve começar o dia, assim, dividido entre o impulso eleitoral e a pressão de um IPCA acima do esperado.

O especialista diz que o dado de inflação, porém, pode limitar o apetite por risco ao longo do pregão, às vésperas do feriado que manterá a B3 fechada na segunda-feira (12). O resultado reforça a cautela com a trajetória dos preços e pode reduzir o espaço para cortes da Selic, especialmente se as pressões inflacionárias se mostrarem disseminadas e persistentemente elevadas.

Disputa presidencial e ajuste fiscal

No campo político, a corrida pelo Palácio do Planalto segue no radar dos investidores. A primeira pesquisa Datafolha para o segundo turno colocou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 52% dos votos válidos, frente aos 48% registrados pelo presidente Lula (PT).

Para Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, os ativos domésticos continuam sendo influenciados pelas declarações de Flávio sobre o “Tesouraço”, como o candidato chama as medidas de ajuste fiscal que pretende implementar caso seja eleito presidente em 2027.

“Na minha visão, esse é o principal driver para destravar valor no Ibovespa. Como o mercado está muito atento às medidas fiscais a serem tomadas em 2027, essa notícia fez com que o mercado se animasse”, afirma.

A equipe do candidato estuda um pacote para viabilizar um corte inicial equivalente a 2% do PIB, o que representa cerca de R$ 250 bilhões. O plano contempla revisões nas regras de correção da Previdência Social e do BPC, além da extinção de pisos constitucionais que atrelam despesas de saúde e educação às receitas da União.

Tensões geopolíticas e o mercado de energia

No exterior, as cotações do petróleo dispararam embaladas pelo agravamento das tensões no Oriente Médio. O barril do tipo Brent registrou forte alta, enquanto as ações da Petrobras fecharam o dia no campo positivo. O movimento reflete o temor de instabilidade na região, ampliado após episódios envolvendo ataques a infraestruturas estratégicas e alertas sobre o fluxo de embarques pelo estreito de Hormuz.

Repercussão global

As bolsas internacionais operaram sem direção única, enquanto os títulos da dívida soberana norte-americana sentiram os efeitos da aversão ao risco. Especialistas apontam que o ambiente de juros elevados nos países desenvolvidos continua impondo desafios adicionais aos ativos de risco em âmbito global.

“Temos aqueles encadeamentos tradicionais: isso acaba fortalecendo o dólar, enfraquecendo o ouro e impactando alguns setores específicos. O setor imobiliário, por exemplo, acaba sofrendo, enquanto os bancos também têm apresentado uma performance mais fraca, diante da preocupação com a concessão de crédito em um ambiente de juros elevados”, afirma William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.

Diante desse complexo mosaico de fatores econômicos e políticos, o Tesouro Nacional aproveitou a demanda por títulos prefixados para realizar uma captação expressiva, refletindo o apetite dos investidores em meio à volatilidade recente dos mercados.

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