O retorno da propaganda eleitoral gratuita após o primeiro turno foi marcado por estratégias distintas e embates narrativos entre as campanhas ao Palácio do Planalto. Enquanto o senador Flávio Bolsonaro focou no conceito de renovação com dezenas de menções ao termo, o presidente Lula direcionou suas inserções para advertir sobre potenciais perigos institucionais e destacar realizações voltadas à área social.
Estratégia do PL foca em alianças e pautas de segurança
No tempo de rádio destinado ao candidato do PL, as palavras “mudança” e “mudar” foram repetidas 22 vezes no espaço de cinco minutos. Flávio Bolsonaro buscou consolidar uma imagem de união nacional em torno de sua postulação para a disputa presidencial.
“O Brasil já decidiu, votou na mudança. E a mudança é muito maior do que eu. Vocês escolheram um novo Brasil. E agora, no segundo turno, o Brasil não tá mais dividido, tá todo mundo do mesmo lado. O Brasil tá no lado da mudança”, disse Flávio Bolsonaro na inserção.
A peça publicitária destacou apoios políticos importantes, como os governadores Ronaldo Caiado e Romeu Zema. Além disso, Tarcísio de Freitas participou da divulgação enfatizando a vitória de aliados na disputa pelo Senado, câmara na qual o partido garantiu a maior bancada a partir de 2027.
Propostas de segurança e fim da reeleição
O programa do senador também resgatou bandeiras tradicionais do grupo político, incluindo a proposta de extinguir a reeleição para o cargo de presidente da República. Na área de segurança pública, a campanha defendeu a classificação de facções criminosas, como PCC, CV e milícias, como organizações terroristas, além de prometer a construção de cinco novos presídios federais.
Petistas respondem com foco na democracia e educação
Do outro lado, o programa do presidente Lula iniciou a transmissão relembrando indicadores sociais e econômicos negativos do governo anterior, citando cortes em programas como o Farmácia Popular e a ausência de ganhos reais no salário mínimo. O atual mandatário utilizou o tempo de rádio para contrapor o discurso de transformação do adversário.
“Não vejo no meu adversário qualquer possibilidade de fazer alguma coisa que seja um futuro promissor para a sociedade brasileira”, disse Lula. “De um lado, o fortalecimento do regime democrático, do outro lado, uma barbárie, em que não tem respeito a valores, não tem respeito a gêneros, não tem respeito às diferenças, não tem respeito à democracia, não tem respeito aos adversários”, acrescentou.
Investimentos sociais e mobilização
A propaganda governista deu destaque a iniciativas educacionais, como a ampliação de recursos para universidades e institutos federais. Para o ensino médio, foram enfatizadas medidas de combate à evasão escolar por meio da universalização do programa Pé de Meia e a vinculação com o Bolsa Família.
Por fim, a coligação governista reforçou promessas econômicas, como a valorização permanente do salário mínimo acima da inflação, estímulos à criação de postos de trabalho e o debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1, conclamando a militância a intensificar a mobilização nas ruas nesta nova fase da disputa.