Luiz Fux cobra acesso a inquéritos de Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal

O ministro Luiz Fux, integrante do Supremo Tribunal Federal, intensificou o escrutínio sobre os procedimentos conduzidos pelo colega Alexandre de Moraes relacionados à investigação de tentativa de golpe de Estado. A movimentação ocorre após um desgaste gerado por uma reunião reservada entre Moraes e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Reunião reservada e atritos internos na corte

Realizada na terça-feira no gabinete de Moraes, a conversa contou com a presença de outros dirigentes da corporação, mas ficou fora das agendas oficiais do Supremo e da corporação. A aliados, Fux classificou o encontro como inadequado devido a questionamentos pendentes sobre a atuação de Andrei Rodrigues em meio à crise envolvendo o Banco Master, na qual há suspeitas de blindagem a Moraes.

Enquanto o magistrado demonstrou insatisfação, aliados de Moraes interpretam a cobrança como um aceno a políticos da oposição, citando especulações sobre o futuro de familiares do ministro. A assessoria de Fux rejeitou tal correlação, classificando os boatos como tentativas de desviar o foco da gravidade de sua decisão. Por sua vez, a Polícia Federal declarou que a atuação da instituição ocorre “em estrito cumprimento de seu dever legal e de ordens judiciais”.

Análise de processos e questionamentos jurídicos

A ordem de Fux para obter acesso integral aos autos abrange investigações sensíveis, como os inquéritos das milícias digitais, das notícias falsas e da trama golpista. O pedido formalizado atende a uma solicitação apresentada pelo Partido Progressista em abril de 2024, que aponta suposta falta de imparcialidade de Moraes por ele figurar como possível vítima nos fatos apurados.

Questionamentos sobre a legalidade das investigações

A sigla também contesta a extensão das diligências e argumenta que o caso não deveria ter derivado dos inquéritos originários conduzidos pela corte. Diante disso, o magistrado afirmou que avaliará se a Operação Tempus Veritatis funcionou de maneira autônoma ou se houve ampliação indevida das ordens solicitadas pela corporação policial.

Apesar da ofensiva jurídica e da divisão visível no plenário — acentuada desde que Fux votou pela absolvição de Jair Bolsonaro na ação penal da trama golpista —, o ministro sinalizou a colaboradores que medidas concretas só serão avaliadas após o encerramento do segundo turno das eleições.

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