A saúde mental é apontada como a maior preocupação de 58% dos brasileiros, segundo dados divulgados pelo estudo Monitor da Saúde 2026. A pesquisa mapeou a percepção da população em 32 nações, ouvindo 22.528 adultos em escala global, sendo cerca de mil participantes no território brasileiro.
Ranking de apreensões e panorama nacional
O levantamento destaca que o índice brasileiro superou a média global, fixada em 48%. Nações como Alemanha e Colômbia registraram o mesmo patamar do Brasil, enquanto a Suécia alcançou 70% e o Chile liderou o ranking internacional com 75%. No cenário interno, a lista de maiores inquietações na área é complementada por estresse (29%), abuso de drogas (27%), obesidade (25%), abuso de álcool (18%), diabetes (17%) e doenças cardíacas (15%). Os números retratam a visão dos entrevistados, e não a prevalência clínica das condições.
Diferença de gênero e impacto na rotina
A percepção da gravidade do problema é significativamente maior entre o público feminino. Cerca de 68% das mulheres colocam o tema entre as principais questões de saúde, em comparação com 47% dos homens, configurando uma distância de 21 pontos percentuais. O resultado reforça uma tendência observada desde 2023, período em que a pauta assumiu o topo das apreensões globais do instituto, ultrapassando enfermidades como o câncer.
Reflexos no cotidiano e na prevenção
Segundo Adriana Ghobril, líder de Pesquisas de Saúde da Ipsos Brasil, os resultados indicam que a preocupação com a saúde mental vai além dos serviços de saúde e afeta o cotidiano da população.
“Isso reforça a importância de olhar para a saúde mental não apenas sob a perspectiva do tratamento, mas também da prevenção e do cuidado contínuo”, avalia.
Globalmente, 64% dos consultados relataram que o estresse prejudicou sua rotina ao menos uma vez no último ano. Além disso, 16% precisaram se afastar do trabalho ou dos estudos, enquanto 17% abandonaram eventos sociais e familiares por motivos semelhantes. O estudo conclui que, embora 78%chem importante equilibrar o foco, 75% admitem pensar com mais frequência na saúde física do que no bem-estar psicológico.